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Brasil Os poderosos da política e da economia mantém uma relação de promiscuidade no Brasil

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Especialistas divergem sobre os motivos da corrupção em larga escala, como a praticada pela maior empreiteira do País. (Foto: EBC)

No mesmo ano de 2012 em que eram condenadas duas dúzias de réus do mensalão, o investimento da empreiteira Odebrecht em suborno ou financiamento ilegal de políticos atingiam o seu auge. Já dois anos depois, com a estreia da Operação Lava-Jato, a empresa ainda investiria 1% de seu faturamento em crimes hoje confessos, mantendo a média do que gastou naquela que muitos consideram “a grande década da propina”.

Essas coincidências dão o que pensar sobre uma explicação popular do motivo da persistência da corrupção no Brasil: impunidade. O efeito dissuasivo das penas judiciais parece pelo menos depender também do alcance e da dosagem eficiente de punição. Mais condenados, de espécie variada e a perdas mais duras de dinheiro a liberdade.

Talvez o efeito das condenações seja defasado e indireto, de difusão social e cultural lenta, além de depender de outras condições desalentadoras de corruptos. O caso, quase anedótico, ilustra a dificuldade de explicar a corrupção e o que fazer a fim de contê-la no futuro (ou agora mesmo: já haveria um novo Grande Corruptor?).

Especialistas divergem sobre os motivos da corrupção em larga escala, como a praticada pela maior empreiteira do País, a Odebrecht. A bibliografia sobre os motivos desses crimes não ajuda a estabelecer a causa fundamental do problema, mas forma um mosaico de motivos para as operações de corrupção, que, mais do que variadas, como crimes constituem um aspecto sistêmico da evolução econômica brasileira faz ao menos 70 anos.

Nem mesmo a Odebrecht esgota o caso, mas sua lista de negócios é abrangente e indica que se está diante de muito mais do que suborno. O que parece se revelar é um sistema geral de relação entre grande empresa e Estado no País, um sistema elaborado durante décadas, azeitado seja com ações claramente criminosas ou não.

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