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Curiosidades Nostalgia e expectativa de lucro impulsionam mercado de cartas de Pokémon

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No Brasil, as cartas são distribuídas pela fabricante de baralhos Copag. (Foto: Reprodução)

Quando começou a colecionar cartas ilustradas, ainda na adolescência, Diogo Pires, 44, não esperava que elas um dia o ajudariam a comprar uma casa. Parte de sua coleção, guardada por mais de duas décadas, acabou sendo vendida por US$ 20 mil (cerca de R$ 73 mil na cotação média da época) a um colecionador da Nova Zelândia, em 2018.

Cofundador da Liga Pokémon, marketplace especializado no jogo de cartas da franquia japonesa, Pires decidiu se desfazer do acervo quando percebeu o quanto ele havia passado a valer.

“Eu comecei a pensar que ter esse monte de coisa em casa é um risco, porque vale muito dinheiro. Foi mais por segurança mesmo”, diz. Embora a motivação da venda da coleção não tenha sido a compra da casa, foi a esposa de Diogo quem sugeriu que o dinheiro fosse usado para adquirir o imóvel.

Popularizadas inicialmente entre crianças e adolescentes, as cartas de Pokémon hoje movimentam também um mercado formado por adultos que cresceram com a franquia e compradores interessados no potencial de valorização das peças.

Segundo dados da The Pokémon Company, mais de 75 bilhões de cartas haviam sido produzidas até março de 2025. Um ano depois, o total acumulado havia aumentado em cerca de 10 bilhões, para 85 bilhões. Antes de 2019, a média anual era de 1,5 bilhão a 2 bilhões.

No Brasil, as cartas são distribuídas pela fabricante de baralhos Copag.

O interesse pela franquia como um todo, que inclui cartas colecionáveis, games, animações e outros produtos, também cresceu. Entre setembro de 2021 e setembro de 2026, o interesse pelo termo Pokémon nas buscas do Google no Brasil foi 60% superior ao registrado nos cinco anos anteriores, segundo dados do Google Trends.

Neste ano, o termo atingiu o maior nível de interesse nas buscas desde 2016, quando o lançamento de “Pokémon Go” provocou um pico.

No mercado de cartas colecionáveis não esportivas, as vendas cresceram 350% em faturamento entre 2020 e 2025 nos Estados Unidos, segundo a Circana. O levantamento abrange uma categoria mais ampla que a de Pokémon TCG (jogo de cartas colecionáveis, na sigla em inglês).

As cartas também ganharam espaço nas redes sociais fora das comunidades de jogadores e colecionadores.

Em agosto, Neymar abriu pacotes de cartas em uma live no Instagram ao lado do filho, Davi Lucca, transmissão que chegou a cerca de 175 mil espectadores simultâneos. O influenciador e empresário Thiago Nigro também publicou conteúdos sobre o mercado de cartas e mostrou compras de produtos lacrados.

A cada dois ou três meses são lançadas expansões, com centenas de novos modelos por coleção. Elas chegam ao público principalmente por meio dos chamados “boosters”, pacotes com uma quantidade limitada de cartas de uma expansão.

O comprador não sabe exatamente quais cartas encontrará em cada pacote. A maioria das cartas, porém, tem baixo valor de mercado, com exemplares anunciados a partir de R$ 0,25 na plataforma Liga Pokémon.

Éric Fenalte, 35, conheceu Pokémon quando a franquia chegou ao Brasil, no fim dos anos 1990. Já adulto, voltou a procurar conjuntos completos das primeiras coleções que fizeram parte de sua infância.

Em 2016, Fenalte pagou cerca de US$ 600 (aproximadamente R$ 2.100 na cotação média daquele ano) por uma caixa lacrada em português, a primeira coleção do Pokémon TCG lançada no Brasil, em 2000.

Hoje, exemplares semelhantes são anunciados por cerca de R$ 9.000 a R$ 10 mil em plataformas de comércio eletrônico e sites especializados em TCG.

Com o aumento dos preços e da procura, Fenalte decidiu manter algumas caixas lacradas. “Eu quero preservar a coleção. São itens que, mesmo tendo o dinheiro para comprar, eu não vou achar”, explica.

Fenalte também considera a possibilidade de valorização ao escolher o que comprar. Em coleções atuais, ele observa características como a tiragem e as cartas incluídas para identificar produtos que podem ganhar valor com o tempo.

“Tem coleção que lança e eu sei que vai valorizar. De modo geral, tudo no Pokémon acaba valorizando”, diz. Isso, porém, não é garantido e depende de fatores como a oferta de exemplares e o interesse dos compradores. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

 

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