Ainda não se sabe se a nova variante pode ser mais transmissível ou mais letal. Ela apresenta sete novas mutações em comparação com a P.1, sendo uma delas, a A262S, na proteína S, a parte do vírus que é alvo de anticorpos e da maioria das vacinas contra a covid-19.
“Além das mutações que já existiam na P.1, tivemos uma a mais na proteína S, e outras mutações em outras proteínas que também podem ser importantes. Ainda não podemos dizer que a variante P.1.2 é mais isso ou aquilo. Já estamos fazendo estudos para avaliar, no entanto, os resultados demoram um pouco”, afirma Ana Tereza Vasconcelos, coordenadora do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
Já a P.1 aparece em 91,49% delas. Também foram identificadas, porém em menores proporções, as linhagens B.1.1.7 (2,13%) e P.2 (0,53%).
Segundo a secretaria, a nova variante foi encontrada principalmente na Região Norte do estado, mas também em amostras nas regiões Metropolitana, Centro e Baixada Litorânea.
“Já tínhamos sequenciado semanas atrás oito desses genomas com a P.1.2 na Região Norte Fluminense, em Conceição de Macabu. Fizemos mais sequências esta semana e percebemos que ela tinha se dispersado para outras cidades e saindo da Região Norte e indo para Região Metropolitana também e outros locais. Agora estamos fazendo mais (sequenciamentos genéticos). Ela (P.1.2) pode continuar aparecendo ou até sumir. Por isso, precisamos fazer o monitoramento genético, sequenciando”, afirma Vasconcelos.
Segundo a nota técnica da Rede Corona Ômica RJ — composta por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de laboratórios de diferentes instituições do estado do Rio de Janeiro — dos 22 novos genomas pertencentes à linhagem P.1.2 analisados “nove foram identificados no município de Conceição de Macabu, três em São Francisco do Itabapoana, dois em Santa Maria Madalena e um genoma em cada um dos municípios de Areal, Bom Jardim, Macaé, Macuco, Quissamã, Rio das Ostras, Rio de Janeiro e Trajano de Moraes”.
A pesquisa integra uma iniciativa de sequenciamento do coronavírus que prevê análise de cerca de 4.800 amostras em seis meses, com aproximadamente 400 a cada 15 dias.
A ação é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e conta com a parceria do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, do Lacen, da Fiocruz e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio.
“O sequenciamento é muito importante para verificar a incidência das novas cepas na população fluminense, e desta forma, antecipar possíveis cenários, a fim de minimizar os efeitos da pandemia em nosso estado”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, também em nota.
Queda e prevalência
Vasconcelos chama a atenção para a queda da variante P.2 nas amostras analisadas pelos pesquisadores. A nova cepa encontrada no final do ano passado no Rio de Janeiro, predominava até fevereiro e nesta última análise foi identificada em apenas 0,53% dos genomas analisados. Em contrapartida, a P.1 dominou as amostras e foi encontrada em 91,49% delas.


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