Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de agosto de 2021
Como vice-governadora de Nova York, Kathy Hochul passou anos na estrada, dando à administração um rosto amigável enquanto visitava cafés e fábricas distantes de cada um dos 62 condados do Estado. Agora, com a renúncia de Andrew Cuomo, sua próxima parada é o Capitólio de Albany.
Aos 62 anos, Hochul torna-se a primeira mulher a liderar o Estado de Nova York – uma ascensão notável para alguém que trabalhou longe dos holofotes, participando de pequenas inaugurações e eventos cívicos, desde que se juntou à equipe do governador em 2014.
Uma democrata centrista do oeste de Nova York, Hochul se juntou ao coro de políticos que denunciaram o governador depois que uma investigação independente concluiu que ele havia assediado sexualmente 11 mulheres enquanto estava no cargo.
“Eu acredito nessas mulheres corajosas”, escreveu Hochul, chamando o comportamento de Cuomo de “repulsivo e ilegal” em um comunicado na terça-feira.
Para muitos nova-iorquinos, Hochul é uma incógnita, servindo em um trabalho que é principalmente cerimonial. Em uma típica tarde no final de julho, ela cumpriu uma agenda que incluía anúncio de financiamento para treinamento de trabalho em Utica e uma tour pelo centro de Cazenovia com o prefeito da pequena cidade.
É um contraste significativo com as aparições exigentes de Cuomo, que faz a maior parte de seus negócios em Albany e na cidade de Nova York e cujas instruções diárias sobre o coronavírus se tornaram eventos nacionais.
Hochul não faz parte do círculo interno de assessores e aliados de Cuomo. O nome dela não foi mencionado no relatório investigativo divulgado pela procuradora-geral Letitia James, que detalhava não apenas as acusações de assédio contra Cuomo, mas também os esforços de sua equipe para desacreditar suas acusadoras.
Mas, aos 62 anos, Hochul é uma política experiente, veterana de 11 campanhas que a levaram do conselho municipal ao Congresso, este último representando um distrito conservador do oeste de Nova York após uma surpreendente vitória em 2011.
“Pragmática seria uma boa maneira de descrevê-la”, disse Jacob Neiheisel, professor associado de ciências políticas da Universidade de Buffalo. “Alguém que é muito bom em ler as folhas de chá e chegar até onde está seu eleitorado. ”
Hochul cresceu fora de Buffalo, em uma família católica que enfrentava dificuldades econômicas. Ela se formou em Artes na Syracuse University e posteriormente em direito na Catholic University of America, em Washington, ingressando na prática privada logo depois.
Mas Hochul logo rumou para o serviço público, trabalhando em Washington como assessora do ex-deputado norte-americano John LaFalce e, posteriormente, do senador Daniel Patrick Moynihan, ambos de Nova York, antes de ocupar seu primeiro cargo público, no conselho municipal de Hamburgo, perto de Buffalo.
A partir daí, ela se tornou secretária do condado de Erie, onde fez algumas notícias em 2007 pela resistência a um plano do então governo Eliot Spitzer de permitir que imigrantes não autorizados obtenham carteira de motorista.
Hochul e outro funcionário do oeste de Nova York exploraram um plano para que a polícia prendesse os imigrantes que tentassem se inscrever.
“Será um impedimento, e é isso que estou procurando”, disse Hochul ao The Buffalo News na época.
Sua próxima mudança foi para o Congresso, onde em 2011 obteve uma vitória surpreendente em uma eleição especial em um distrito que esteve nas mãos dos republicanos por décadas.
Ela perdeu uma candidatura à reeleição um ano depois para o republicano Chris Collins, apesar de ter apoio da National Rifle Association. Mais tarde, Collins pediu demissão da Câmara dos EUA e se declarou culpado de negociar com informações privilegiadas.
Hochul moveu-se para a esquerda, politicamente, quando Cuomo a escolheu como sua companheira de chapa em 2014, após seu primeiro vice-governador, o ex-prefeito de Rochester Robert Duffy, decidir não se candidatar à reeleição.
Ela apoiou o SAFE Act de Nova York, uma das leis de controle de armas mais rígidas do país, bem como a Lei da Luz Verde do Estado, que permite que imigrantes não autorizados obtenham carteira de motorista.
Nos últimos dias, Hochul manteve-se longe dos holofotes, cancelando eventos públicos e negando pedidos de entrevistas. Mas, nos bastidores, ela se preparava para o inevitável, consultando seu antigo círculo de conselheiros e familiarizando-se com as minúcias do processo de transição. A vice-governadora recebeu inúmeros apelos de grupos de defesa ansiosos para informá-la sobre seus principais problemas e de líderes governamentais que buscam estabelecer ou expandir relacionamentos com ela. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e The New York Times e da agência de notícias AP.
Os comentários estão desativados.