Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de novembro de 2015
As estrelas mais antigas da Via Láctea escondem informações sobre como era o Universo em seu início, segredos agora que podem ser revelados com maior facilidade depois de algumas delas terem sido identificadas por um grupo internacional de cientistas, segundo a revista Nature.
A descoberta, feita por uma equipe de astrônomos liderada pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e pela Universidade Nacional da Austrália, pode ajudar a entender quanto o Universo mudou nos últimos 13,7 bilhões de anos. “Há tantas estrelas no centro de nossa galáxia que achar essas poucas é como encontrar uma agulha em um palheiro”, disse Andrew Casey.
O trabalho dos cientistas confirmou a existência de “estrelas anciãs” no centro da galáxia. “A assinatura química que ficou nelas retrata uma época do Universo que seria inacessível de outra forma”, acrescentou o pesquisador.
Além disso, rastros químicos indicam que as primeiras estrelas desapareceram “em uma morte espetacular conhecida como hipernova, com dez vezes mais energia do que uma supernova”.
Dessa forma, uma hipernova seria o fenômeno mais energético do Universo e muito diferente dos tipos de explosões estrelares que podem ser observadas atualmente, aponta o estudo.
Durante muitas décadas, os astrônomos trataram de tentar determinar como era o Universo pouco após o Big Bang, o que é fundamental para entender como se formaram as primeiras estrelas e galáxias.
Com esse objetivo, alguns pesquisadores começaram a observar galáxias a bilhões de anos-luz, enquanto outros passaram a analisar o centro da Via Láctea. Após o Big Bang, o Universo era formado por hidrogênio, hélio e pequenas quantidades de lítio, enquanto os demais elementos foram produzidos no interior das estrelas ou quando elas se extinguiam. Por isso, os cientistas buscam estrelas cuja composição era fundamentalmente de hidrogênio e muito pobre em metais.
Localizar esse tipo de estrela entre todas as milhões que formam a nossa galáxia pode não ser fácil, mas os astrônomos encontraram uma forma de achá-las. Os astros mais antigos, por terem poucos metais, são ligeiramente mais azuis do que o resto.
Os cientistas usaram telescópios na Austrália e no Chile para identificar nove estrelas entre as mais antigas. O passo seguinte foi determinar quais delas não tinham se movido do centro da Via Láctea e, graças a simulações por computador, se chegou à conclusão de que sete foram formadas no início do Universo.
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