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Economia Nove em cada dez brasileiros mudaram hábitos financeiros durante a pandemia

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Pessoas afirmam terem diminuído gastos na pandemia. (Foto: Reprodução)

A pandemia da Covid-19 causou mudanças nos hábitos financeiros de inúmeros brasileiros. É isso que mostra uma pesquisa do Ibope Inteligência. De acordo com o levantamento, encomendado pelo C6 Bank, 89% das pessoas das classes A, B e C, com acesso à internet, mudaram os hábitos financeiros desde que a crise começou.

Destes, 51% afirmam terem diminuído gastos, 27% passaram a guardar mais recursos para possíveis incertezas no futuro e 22% começaram a atrasar o pagamento de boletos ou contas.

Além disso, o estudo também revela que a pandemia afetou a renda de 55%, dos quais 66% dizem ter sentido queda superior a 25% no orçamento.

Os educadores financeiros consultados pelo site E-Investidor ressaltaram a importância dos novos costumes permanecerem depois da crise. “Eles (os brasileiros) estão adquirindo os hábitos por um mau motivo, mas espero que os mantenham por um bom, que é o futuro deles”, diz Leandro Benincá, educador financeiro na Messem Investimentos.

Para Benincá, o brasileiro “é a pessoa que tem a casa assaltada e depois resolve colocar o alarme”. Assim, ele afirma que o ideal seria as pessoas terem revisto seus hábitos financeiros antes, mas pelo menos estão fazendo agora. “O susto faz as pessoas agirem”.

Cláudio Ferro, educador financeiro e CEO do PoupaBrasil Investimentos, concorda. Para ele, os números são elevados devido à maior preocupação com as finanças conforme o tempo passou e a pandemia se alastrou. “Ela foi além do que se imaginava”, afirma Ferro.

O mais importante em momentos como este é reduzir as despesas e fazê-la caber dentro do novo orçamento. Assim, a pessoa tem uma saúde financeira melhor e vai estar mais preparada para sobreviver ao momento”, afirma o CEO do PoupaBrasil.

Além disso, eles destacam que poupando e investindo dinheiro, a pessoa terá condições melhores no futuro, caso outras crises aconteçam. “Quem não se preocupa com isso antes sofre mais em momentos como este”, diz o educador financeiro da Messem Investimentos.

Para os especialistas, postergar o pagamento de boletos não é uma prática que as pessoas devem adotar, mesmo em tempos de diminuição de renda. O custo terá que ser pago no futuro e, provavelmente, com juros. “Fazer isso é atrasar algo que vai te prejudicar mais ainda lá na frente”, diz Benincá.

Com isso, Ferro lembra que muitos atrasam boletos para dar prioridade a gastos essenciais, atrasando os outros custos adicionais. “O problema é que são justamente esses que têm as taxas de juros mais altas.”

Segundo os especialistas, o ponto positivo de as pessoas começarem a rever seus gastos durante a crise é que elas percebem que é possível mantê-los após a pandemia.

Se é possível rever hábitos em um momento de aperto, também será em períodos de normalidade”, afirma Benincá.

Ferro também se diz otimista quanto ao futuro da vida financeiro dos brasileiros. “Acredito que a mudança de hábitos veio para ficar”, diz o CEO do PoupaBrasil Investimentos.

A pesquisa ouviu 2 mil brasileiros das classes A, B e C com acesso à internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais. As informações são do site E-Investidor, do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

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