Sábado, 23 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de maio de 2026
Um novo protocolo para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS) foi anunciado pelo Ministério da Saúde. A principal mudança é a adoção do Teste Imunoquímico Fecal, conhecido como FIT, como exame de referência para pacientes assintomáticos entre 50 e 75 anos. A doença será rastreada em mais de 40 milhões de brasileiros.
O teste detecta sangue oculto nas fezes, um dos possíveis sinais precoces do câncer de intestino, de pólipos ou lesões pré-cancerígenas. O objetivo é identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas.
A proposta é ampliar a adesão da população ao rastreamento por meio de um exame menos invasivo e mais simples do que a colonoscopia. Além disso, ele não exige preparo intestinal nem dieta especial antes da coleta, o que pode aumentar a sua adesão.
A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Clarissa Baldotto, avalia que esta medida é importante e terá impacto especial em regiões do Brasil onde a colonoscopia não está disponível.
“A gente não tinha ainda um rastreamento de câncer colorretal instituído no SUS, que é um dos tumores mais comuns hoje em dia, e a incidência vem aumentando. Este é um teste mais simples do que a colonoscopia, e é mais uma ferramenta de rastreamento. O FIT consegue ter um alcance maior, principalmente em regiões onde a colonoscopia não está disponível. Mas é importante ressaltar que ele funciona como uma ferramenta inicial de triagem, ele não substitui a colonoscopia”, destaca Clarissa.
Caso o resultado do FIT seja positivo, o paciente será encaminhado para a realização da colonoscopia, exame que permite visualizar o intestino e confirmar ou descartar a presença de lesões e tumores.
O Ministério da Saúde destaca que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento e cura da doença. Isso porque o câncer colorretal costuma apresentar evolução silenciosa nas fases iniciais.
Entre os sinais de alerta da doença estão sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dores abdominais, perda de peso sem explicação e anemia. Pacientes com estes sintomas também devem realizar os exames.
O FIT já realizado na rede privada de saúde no Brasil e possui resultados satisfatórios de eficiência.
“Ele é mais específico para o sangue humano nas fezes do que os testes antigos, então ele tem uma sensibilidade muito boa e também uma maior especificidade. O FIT elimina aqueles resultados falso positivos, onde não há um sangramento e ele vem como positivo”, aponta Clarissa.
Já os principais fatores de risco incluem envelhecimento, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada e histórico familiar da doença.
A adoção do novo protocolo também busca ampliar o acesso à prevenção no SUS e reduzir a mortalidade associada ao câncer colorretal, considerado um dos tipos de câncer com maior potencial de cura quando identificado precocemente. Segundo a Policlínica Piquet Carneiro, vinculada à Uerj, as chances de cura chegam a 90%, se diagnosticado em fase inicial.
“Quando o câncer de cólon é diagnosticado precocemente, as taxas de cura são bem altas. Dependendo do caso, o tratamento é só a cirurgia e, baseado no resultado dessa cirurgia, a gente pode indicar um complemento com quimioterapia. Em tumores de reto, muitas vezes também pode ser indicada a radioterapia e a quimioterapia antes de uma cirurgia. Cada caso é avaliado individualmente”, completa a presidente da SBOC. (Com informações do jornal O Globo)
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