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Economia Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas

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Presidente Lula comemora descoberta de petróleo na Foz do Amazonas. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, na segunda-feira (17). A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta durante entrevista coletiva em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região.

Mas a descoberta ainda está em uma etapa inicial: não se sabe quanto petróleo existe ali e nem se a área poderá ser explorada comercialmente. Veja o que já está confirmado e quais são as principais perguntas em aberto.

O que se sabe

– Onde está o petróleo: O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59. FZA se refere à Foz do Amazonas, enquanto M-59 identifica aquele bloco específico.

Os blocos são áreas delimitadas para atividades de exploração de petróleo. A Petrobras adquiriu o bloco na 11ª Rodada de Licitações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), em 2013, sob regime de concessão. Hoje, é a operadora com 100% de participação.

– Serão necessários novos poços: A Petrobras ainda não concluiu os trabalhos no Morpho. Segundo Chambriard, a exploração do poço deve continuar por mais 15 a 20 dias.

A empresa também prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes.

“É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região”, afirmou a presidente da estatal.

– Por que a Petrobras aposta na Foz do Amazonas, e o que ela tem a ver com o pré-sal: A Petrobras considera a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma “nova fronteira energética do Brasil”, nas palavras do presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Roberto Furian.

A região também ganhou interesse após descobertas de petróleo na vizinha Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes.

A Petrobras e o governo defendem que a exploração pode ajudar a repor reservas à medida que a produção do pré-sal se aproxime de seu pico.

Segundo Chambriard, o pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, deve atingir o ápice por volta de 2034 ou 2035.

O pré-sal foi descoberto em 2006, quando acumulações de petróleo e gás natural em reservatórios situados na área submersa que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina foram achadas pela Petrobras.

– A descoberta não é, por enquanto, comercial: Embora a Petrobras tenha confirmado a presença de petróleo, o achado ainda não é comercial.

Não é possível concluir, neste momento, que haverá produção. Ainda serão necessários novos dados para avaliar se o volume e as características do petróleo justificam uma exploração comercial.

– Há controvérsias: A autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para a Petrobras perfurar na região foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém em novembro.

O processo levou anos, e a autorização havia sido rejeitada anteriormente. A concessão da licença provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram uma contradição entre a exploração de petróleo na região e os alertas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis.

– Expectativa já mudou a região: Oiapoque, município mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já sente os efeitos da expectativa de exploração antes mesmo de se saber se o petróleo encontrado será economicamente viável.

A perspectiva de empregos e royalties tem atraído novos moradores e acelerado a expansão da cidade. Em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Oiapoque.

Os aluguéis também subiram, em um cenário descrito por uma corretora ouvida pela BBC News Brasil como de especulação imobiliária.

O crescimento, porém, ocorre de forma desordenada: há novas ocupações com casas, ruas de terra e falta de infraestrutura, incluindo áreas sem acesso à água.

O que não se sabe

– Quanto petróleo existe no Morpho: Esta é a principal incógnita. A Petrobras confirmou a presença de petróleo, mas não divulgou um volume.

Segundo Chambriard, serão necessários mais trabalhos de exploração para dimensionar o potencial da área.

A Petrobras pretende perfurar outros poços justamente para responder a essa questão. São três previstos na região e cinco em áreas adjacentes.

– Se a descoberta será economicamente viável: Também não há resposta para essa pergunta.

A confirmação da presença de petróleo não significa que a produção será economicamente viável. Só uma avaliação mais completa poderá indicar se há quantidade e condições de exploração suficientes para justificar a produção comercial.

– Quando, ou se, haverá produção de petróleo: Os trabalhos no Morpho continuam, novos poços dependem de autorização do Ibama, e os resultados dessas perfurações serão necessários para determinar o potencial econômico da área.

Por isso, ainda não é possível afirmar quando a região poderia começar a produzir petróleo – ou mesmo se isso acontecerá.

– Quais serão os impactos ambientais e sociais da exploração: Organizações ambientais afirmam que a região é ecologicamente sensível e que os eventuais impactos da exploração de petróleo ainda são desconhecidos.

Há também preocupação com os efeitos sobre comunidades indígenas e quilombolas.

Durante a COP30, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofriam com a perspectiva da prospecção e exploração.

Segundo ela, havia sobrevoos sobre os territórios, pressão sobre as comunidades e tentativas de dividir lideranças.

Ao mesmo tempo, a Petrobras afirma que uma eventual exploração seria realizada com investimentos tecnológicos voltados à segurança operacional e ao cuidado ambiental. As informações são da BBC News.

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