Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de agosto de 2021
A retomada econômica da China está sendo prejudicada pelo impacto das históricas enchentes em áreas produtivas importantes e a imposição e duras medidas restritivas para conter um novo surto de covid-19, causado pela variante delta. Muitos analistas já reveem suas previsões para a China considerando o impacto das enchentes e dos controles sanitários nos gastos de consumo e no crescimento econômico no segundo semestre.
Até agora, a China teve sucesso em conter a pandemia por meio de uma combinação de extensos testes e lockdowns. Mas se o surto da delta continuar a se expandir, isso representará um duro golpe para a economia chinesa, que tem impulsionado o resto do mundo.
A Nomura Holdings, por exemplo, cortou sua projeção de crescimento anual para o terceiro trimestre de 6,4% para 5,1% e vê uma expansão de 4,4% nos últimos três meses do ano, de uma estimativa anterior de 5,3%. Para 2021, a Nomura reduziu a previsão de expansão do PIB de 8,9% para 8,2%.
“As medidas draconianas tomadas pelo governo estão levando às proibições de viagens e lockdowns potencialmente mais rigorosos na China” desde março e abril de 2020, disse Lu Ting, economista da Nomura para a China.
“As recentes chuvas e inundações – ambas piores do que o esperado – também exigem um ajuste para baixo em nossas projeções de crescimento do PIB para o terceiro trimestre”, acrescentou Lu, referindo-se às enchentes na Província central de Henan, que causaram perdas diretas de US$ 18 bilhões e afetaram mais de 580 mil hectares de terras cultivadas.
O Goldman Sachs avalia que o impacto das restrições sobre o crescimento do terceiro trimestre pode ser de até 0,7 ponto percentual. Porém, não alterou sua previsão de crescimento de 6,2% para a China neste ano, citando incertezas sobre a duração do atual surto e a possibilidade de Pequim dar mais apoio à economia.
As enchentes e a reimposição de restrições sanitárias atingem a economia chinesa num momento em que já vinha dando sinais de desaceleração. Também chegam no meio do auge do turismo interno, devendo afetar negativamente os gastos de consumo.
“Agosto é a temporada de pico para as atividades do consumidor no verão. Esperamos que esta nova rodada de casos tenha um impacto maior no consumo de serviços”, disse a Citic Securities em uma nota a clientes sobre as medidas.
Outros analistas estão mais cautelosos. Iris Pang, economista para a China do ING Economics, disse ao jornal “South China Morning Post” que os efeitos do surto ainda podem ser minimizados, já que as infecções ainda não chegaram em áreas mais industrializadas.
As autoridades chinesas acompanham de perto o números de infecções comunitárias por covid-19, uma métrica que exclui os casos importados. Essas infecções somaram 485 casos em duas semanas, segundo a Comissão Nacional de Saúde da China. Esse total supera os cerca de 430 casos registrados entre 1º fevereiro e 19 de julho.
As restrições já começam a afetar a atividade econômica no país. A Honda informou que fechou temporariamente suas três fábricas em Wuhan. Muitos trabalhadores da fábrica não podem ir trabalhar devido aos bloqueios nas áreas circundantes, segundo a montadora japonesa.
As três fábricas têm uma capacidade combinada de 720 mil veículos por ano. Não está claro quando a produção será retomada. No ano passado, a Honda suspendeu as operações em Wuhan durante o lockdown de 76 dias da cidade.
Macau anunciou o fechamento de vários locais de entretenimento e lazer para tentar conter um surto depois de registrar seus primeiros quatro casos locais em mais de um ano. Mas os cassinos permanecerão abertos por enquanto.
Os comentários estão desativados.