Sexta-feira, 17 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de julho de 2026
Com vigência a partir da próxima quarta-feira (22), o novo tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump atinge 70,4% das exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos. O índice representa mais que o dobro do estimado para o setor em âmbito nacional, de acordo com análise da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
“Essa concentração elevada decorre da composição específica das vendas externas gaúchas, fortemente dependentes de produtos agora submetidos à sobretaxa”, explica uma nota técnica recém-publicada pelo departamento de Assessoria Econômica da entidade sobre a taxa adicional de 25% anunciada nesta semana sobre diversas importações brasileiras.
O relatíorio – disponível no site farsul.org.br – define que a cobrança extra resulta em novos desafios à balança comercial gaúcha, inclusive de modo geral: “Enquanto a medida atinge 38% do valor total das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 14,3 bilhões, no Rio Grande do Sul esse índice chega a 79%, somando US$ 1,3 bilhão”.
Tabaco, madeira e calçados
O impacto tarifário potencial (calculado com base nos valores no ano passado) pode atingir US$ 325 milhões para o total das exportações gaúchas e US$ 135 milhões especificamente para o agronegócio estadual. Na avaliação da Farsu, o ranking dos produtos mais afetados no agronegócio do Rio Grande do Sul salienta uma preocupação central: o segmento de tabaco.
Isoladamente, o produto não manufaturado (tipo Virgínia) lidera a lista de riscos, seguido pela madeira serrada (Pinus), calçados de couro, fumo Burley e sebo bovino. Para se ter ideia desse cenário, esses cinco produtos afetados no agro gaúcho respondem por 64% de toda a exposição do setor gaúcho às medidas de Trump.
Alívio parcial nas exceções
Uma lista de exceções (ampliada, no comparativo com a versão preliminar de junho) serviu como um atenuante considerável. Dentre os produtos que ficaram de fora da sobretaxa estão o ferro-gusa, couro bovino, pescados, mel orgânico, café solúvel sem sabor e sucata de ferro e aço.
“A ampliação dessas exclusões na lista final reduziu a carga total sobre o Brasil, passando de 43,7% a 38% a participação das exportações afetadas”, prossegue a nota técnica. No caso do Rio Grande do Sul, a parcela afetada recuou de 81,1% a 79%”.
A Farsul alerta que os valores de impacto tarifário não significam, automaticamente, prejuízo direto de igual magnitude. O mercado deve reagir de formas variadas, que podem incluir desde a compressão de margens de lucro e repasse de preços até a busca por fornecedores alternativos ou desvio de comércio:
“O monitoramento será fundamental a partir da próxima semana. Produtores e exportadores devem acompanhar de perto não apenas a implementação aduaneira da medida, mas também eventuais revisões de escopo que possam ocorrer, impactando contratos e a competitividade dos produtos gaúchos no mercado americano”.
(Marcello Campos)
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