Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 8 de setembro de 2015
Oito meses após a morte do promotor Alberto Nisman, encontrado em seu apartamento com um tiro na cabeça em janeiro, peritos argentinos dispararam em uma simulação a arma de onde saiu a bala e concluíram que quem puxou o gatilho deve ter ficado com traços de pólvora nas mãos. Os primeiros especialistas a estudar o cadáver indicaram que não havia sinais de carga nos dedos de Nisman. Na época, defensores da tese de suicídio argumentaram que um revólver calibre 22 milímetros nem sempre deixa sinais. O novo exame demonstrou o contrário.
O Centro de Investigação de Salta, no Norte da Argentina, reconstruiu ambientes semelhantes ao banheiro em que Nisman estava, em seu apartamento em Buenos Aires, ao acionar a arma. O resultado foi enviado à promotora federal responsável pela apuração, Viviana Fein. O teste reacendeu a disputa entre a investigação oficial, cujas conclusões sugerem suicídio, e o grupo de especialistas contratado pela família de Nisman, que assegura ter ocorrido um homicídio.
Após meses de silêncio sobre o caso, Fein afirmou na segunda-feira que o exame não pode ser analisado de forma isolada. “Não podemos dizer com essa perícia que ele se matou ou foi morto”, disse a promotora à rádio La Red. Ela avisou que sua conclusão sobre o caso não sairá
antes de 25 de outubro, quando o país escolhe o sucessor da presidenta Cristina Kirchner.
A ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, declarou à rádio Mitre que se trata de uma prova conclusiva. “Segundo me informaram depois da morte de meu marido, esse tipo de arma deixa rastros em 100% dos casos”, assegurou a magistrada. Nisman investigava o atentado contra a Amia (Associação Mutual Israelita-Argentina) em 1994. Seu corpo foi achado quatro dias depois de acusar a presidenta de proteger iranianos considerados culpados pela Justiça em troca de acordos comerciais com Teerã. Cristina chegou a ser indiciada com integrantes da cúpula kirchnerista em fevereiro, contudo a denúncia foi arquivada em maio.
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