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Geral Número de estudantes do Fies despenca 93% em quase uma década

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Ideia do Fies Social é cobrir até 100% do valor dos cursos. (Foto: Agência Brasil)

O número de estudantes cadastrados no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) caiu mais uma vez em 2022. Pouco mais de 50 mil alunos fizeram o financiamento estudantil, um patamar bem distante do auge de 2014, quando foram mais de 700 mil inscritos.

De acordo com o diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Celso Niskier, a crise econômica diminuiu a perspectiva de crescimento dos jovens e esse é um dos motivos que explica essa queda de 93%.

“Para que ele possa financiar um curso superior, ele [aluno] deve ter a expectativa de que vai ter um aumento de renda e, considerando o momento econômico, muitas vezes o jovem fica em dúvida sobre esse investimento na carreira”, diz.

Além da falta de perspectiva, a crise também trouxe outro reflexo: a inadimplência. Mesmo com um diploma na mão, a vida no mercado de trabalho não tem sido fácil e as parcelas do empréstimo não esperam.

Entre janeiro e outubro deste ano, a taxa de inadimplência do programa chegou a 52% dos contratos ativos, que passam de 2 bilhões. Em 2017, por exemplo, esse índice era de 41%.

A importância do Fies

O professor do Departamento de Educação da PUC-Minas diz que o Fies é uma forma de acesso fundamental ao ensino superior para milhões de estudantes.

“É um momento muito delicado, até porque a maioria dos nossos jovens estão matriculados hoje nas instituições privadas de ensino superior. Elas que possuem mais vagas a serem preenchidas e, quando a gente tem esse não preenchimento, isso revela uma crise do ensino superior de forma geral”, explica.

Para tentar driblar a crise e fugir da inadimplência, o estudante de medicina Igor de Bernardi Borges Araújo se cadastrou no Fies, mas teve que revezar o tempo entre os livros e a cozinha para complementar o valor da faculdade, já que o financiamento não cobre todo o valor. Para isso, ele vende cookies para complementar a renda.

“Enquanto eu fazia vestibular, até passei em quinto lugar que estou hoje, mas não tinha dinheiro para pagar na época e o Fies acabou me salvando. Eu pago R$ 2.200 por mês, porque o Fies não custeia tudo no caso da medicina”, ressalta

Apesar do esforço, ele revela que tios, primos e a irmã o ajudam. “Então, acaba que a gente consegue ir levando, porque não dá para desistir. Sonho é sonho e a minha família está me ajudando a conquistar”, finaliza. As informações são do Jornal Hoje.

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