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Brasil “Nunca mais vou ser o mesmo”, disse Joesley Batista sobre a sua delação

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Joesley Batista, ex-presidente-executivo da JBS, já foi alvo de outro processo da CVM sob acusação de ter ganho dinheiro no mercado financeiro. (Foto: Divulgação)

Na quinta-feira, completou um ano do acordo de delação premiada firmado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS/Friboi, com o MPF (Ministério Público Federal). De acordo com a coluna Painel, do jornal “Folha de S. Paulo”, Batista confidenciou: “Descobri que nunca mais vou ser o mesmo”.

As informações prestadas pelo empresário e pelo irmão Wesley Batista encurralaram o governo Michel Temer. O presidente emedebista, por sua vez, se limitou a comentar o aniversário da delação dos irmãos Batista. Um auxiliar do presidente resumiu: “Sobrevivemos”.

Um ano depois, os advogados dos empresários ainda tentam manter de pé a delação premiada dos executivos da JBS/Friboi. A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deve ampliar a pressão pela rescisão do acordo.

O MPF denunciou os executivos e delatores da JBS/Friboi Joesley Batista e Francisco de Assis sob acusação de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e embaraço de investigação. O empresário teria comprado um procurador.

A denúncia, apresentada no dia 27 de abril e mantida sob sigilo, rompe a blindagem concedida pela PGR (Procuradoria-Geral da República) aos executivos no acordo de delação premiada assinado há um ano, que os protegia de serem denunciados por crimes cometidos.

A denúncia acusa o procurador Ângelo Goulart Vilella de receber ajuda de custo da JBS/Friboi para vazar informações internas da Procuradoria do Distrito Federal para os investigados. O presidente da OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil), Juliano Costa Couto, o advogado Willer Tomaz e o publicitário André Gustavo Vieira também foram denunciados.

No documento, os procuradores afirmam que o grupo ocultou e dissimulou propina recebida entre 21 de fevereiro e 2 de março de 2017 como contrapartida de benefícios oferecidos à JBS/Friboi, então alvo da Operação Greenfield. Comandada pelo MPF, a operação investiga o uso irregular de dinheiro de fundos de pensão.

A denúncia é toda baseada na delação premiada dos executivos do frigorífico e na ação controlada feita por Francisco de Assis, autorizada pelo Supremo. Na delação, Assis disse que a empresa pagava mesada de R$ 50 mil a Villela, que na ocasião integrava a força-tarefa da Greenfield.

A denúncia foi apresentada ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) no dia 27 de abril porque Villela tem foro especial devido ao cargo de procurador. O caso está em segredo de Justiça.

O MPF pede aos denunciados o pagamento de R$ 24 milhões a título de reparação de danos morais, além da perda do cargo de Villela.

 

 

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