Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de agosto de 2017
Acusado de pagar propina ao procurador Ângelo Goulart Villela para repassar informação privilegiada a Joesley, o advogado Willer Tomaz, 36 anos, se diz vítima de armação. O grupo J&F (que controla a JBS e a Eldorado Celulose), em nota, negou que delatores tenham mentido e reiterou o que foi dito no acordo. Confira parte da entrevista de Tomaz ao jornal Folha de S. Paulo.
Como se defende da acusação de que repassou propina para Goulart?
Tomaz – A minha casa e o meu escritório foram devassados. Tive ligações interceptadas e não há uma prova ou conversa que trate de repasses ilícitos. Pelo contrário, a Polícia Federal deixou de fazer menção a uma conversa importantíssima que tive com o diretor jurídico da Eldorado, em que faço menção expressa a pedidos indecorosos de Francisco que eu, de pronto, não aceitei.
A minha relação com Francisco ficou bastante abalada após ele ter solicitado um jantar com um magistrado [Ricardo Soares]. Esse encontro nunca ocorreu e hoje percebo que a intenção de Francisco era envolver um membro do Judiciário [na delação]. Ele agiu de má-fé, foi desleal e mentiroso. Foi justamente o fato de não ter aceito os pedidos antirrepublicanos que levou à quebra do contrato firmado entre o meu escritório e a Eldorado Brasil Celulose.
Vê problemas no relato dos delatores?
Tomaz – As mentiras contadas por Joesley e Francisco são tão grosseiras que os próprios delatores entraram em contradição. Em depoimentos em junho ao MPF, Joesley e Francisco desmentiram o que delataram à PGR em maio.
Joesley, mais recentemente, afirmou que não sabe dizer se é verdade que eu pagava algum valor a Ângelo Goulart. De outro lado, Francisco se retratou do que havia dito antes à PGR e afirmou, no novo depoimento, que soube que eu teria dito que pagava 50 mil reais a Ângelo, mas que não lembra se isso teria sido dito por mim ou por Joesley.
Ou seja, nem os delatores hoje afirmam com certeza ter existido a propina a Goulart.
Posso dizer com certeza que não há prova de entrega de valor, por mim, ao Ângelo. Até porque, de verdade, jamais paguei um único centavo a um membro do MPF.
Como afetou sua vida?
Tomaz – Por conta de depoimentos iniciais mentirosos, fui preso por 75 dias; fui humilhado, execrado, tive a minha reputação arruinada e a minha família está vivendo um verdadeiro martírio. Fui tachado de lobista, como se nunca tivesse atuado, devidamente constituído, nos autos em favor da Eldorado. (Thais Bilenky/Folha de S. Paulo)