Terça-feira, 13 de Abril de 2021

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Brasil O Amazonas transfere vinte e um pacientes com coronavírus para outros Estados. A previsão é levar mais de 200

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O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) disponibilizou cilindros de oxigênio. (Foto: Raphael Alves/ TJAM)

Até a manhã de sábado (16), um total de 21 pacientes com Covid-19 do Amazonas foram transferidos para unidades de saúde do Maranhão e Piauí. Por conta de falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, o governo informou que prevê enviar 235 pacientes para outros estados.

A capital amazonense enfrenta colapso na rede de saúde após um novo surto de coronavírus lotar hospitais mais uma vez, assim como aconteceu entre abril e maio do ano passado. Na sexta (15), Manaus registrou 213 enterros e bateu recorde diário. Em todo o Amazonas, mais de 6 mil pessoas já morreram devido à pandemia.

Do total de 21 pacientes, nove foram encaminhados para o Piauí e 12 para o estado do Maranhão. Nos dois Estados, os pacientes estão sendo internados em hospitais universitários da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

De acordo com o Ministério da Saúde, já estão garantidos de imediato 149 leitos nas outras cidades. São 40 em São Luís (MA), 30 em Teresina (PI), 15 em João Pessoa (PB), 10 em Natal (RN), 20 em Goiânia (GO), 4 em Fortaleza (CE), 10 em Recife (PE) e 20 no Distrito Federal. O governo do Pará informou que disponibilizará 30 leitos.

Segundo o governo, a transferência dos pacientes é feita por meio de classificação de risco do protocolo de Manchester, que estabelece as prioridades de atendimento de acordo com a gravidade dos casos. O paciente que for transferido deve apresentar sinais vitais (frequência cardíaca, respiratória e pressão arterial) em estabilidade, além de assinar um termo de consentimento para a transferência.

O governo informou, ainda, que montou uma força-tarefa de assistência social para atender os familiares das pessoas que estão recebendo tratamento fora do Amazonas. A Justiça determinou que a União também realiza, imediatamente, a transferência de pacientes que podem morrer pela falta de oxigênio.

Transferências de bebês é suspensa

O Ministério da Saúde informou, na sexta (15), que adquiriu cilindros de oxigênio que devem durar 48h para manter 61 bebês prematuros em leitos de UTIs em Manaus. Estados já haviam sinalizado oferta de leitos para receber bebês e grávidas que possam ficar sem oxigênio na capital.

De acordo com o Ministério da Saúde, a medida atende a uma solicitação do Governo do Amazonas para recém-nascidos que estavam no limite de oxigênio. A pasta informou, ainda, que busca mais balas de oxigênio para que os prematuros não precisem ser transferidos para outros estados.

O administrador de empresas Iyad Hajoj perdeu o pai e a mãe no mesmo dia por falta de oxigênio em Manaus. Os dois estavam internados no Hospital Getúlio Vargas com Covid-19, o pai na UTI e a mãe na enfermaria, mas ambos não resistiram à falta de oxigênio.

“Foi o dia mais aterrorizante que eu não desejo para absolutamente ninguém. Fui infectado pela Covid porque tive que cuidar dos dois e tive que reconhecer o corpo dos dois”, contou o administrador.

A operadora de caixa Lídia Nascimento Ribeiro está enfrentando dificuldades para liberar o corpo da mãe, que morreu em consequência de complicações causadas pela Covid-19, no Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) Danilo Correia, em Manaus, na quinta-feira (15).

Além de tudo, ela precisa se preocupar com a falta de oxigênio para o pai, que está internado e precisa revezar o gás com outro paciente. “Tem muita gente morrendo, não tem funerária suficiente, tem muita gente morta. Só tem funerária amanhã”, lamentou.

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