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Brasil O preço do frete deverá subir de 2,5% a 4% com o aumento de impostos sobre o diesel

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Entidades de vários setores acusam o governo de "criar um problema para resolver outro". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O aumento dos tributos sobre o diesel deverá refletir em elevação de preços para o consumidor, avaliam associações do setor de transportes e distribuição, que criticaram a medida. Em nota divulgada na sexta-feira, o presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Clésio Andrade, alertou que o aumento de impostos sobre o combustível terá um impacto de 2,5% a 4% sobre o preço do transporte de cargas no País – frete. Em consequência, a elevação de tributos acarretará um aumento nos preços de todos os produtos consumidos pela população, inclusive os alimentos.

Em meio a dificuldades para fechar as suas contas, o governo federal aumentou as alíquotas de PIS e Cofins sobre os combustíveis. No caso do diesel, a elevação foi de 86%. Com isso, o diesel terá um aumento de 0,21 reais por litro. O seu preço médio no País foi de 2,94 reais em julho, segundo a Confederação.

A entidade diz que o aumento de impostos vem em momento ruim para o setor de transportes, após queda de 7,1% em 2016 e o fim da desoneração sobre a folha de pagamentos. “Além de elevar preços, o aumento da carga tributária ameaça empregos”, frisou Andrade. “Para barrar o déficit público, em vez de aumentar impostos, o governo precisa buscar novas receitas de concessões e privatizações, investir em infraestrutura e prosseguir na modernização do Estado, realizando, ainda este ano, a reforma da Previdência.”

O aumento de alíquotas levará a renegociações de contratos entre empresas que contratam fretes e transportadoras, diz o residente da ABTC (Associação Brasileira de Logística e Transporte de Cargas), Pedro Lopes. “Alguns embarcadores [empresas que enviam as mercadorias] são sensíveis ao aumento de custos, enquanto outros, com dificuldades devido ao momento econômico, vão barganhar para não assumir esse aumento, em um diálogo demorado”, avaliou.

Distribuidores

O presidente da Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores), Emerson Luiz Destro, chamou o aumento tributários sobre o diesek de “inadmissível”, pois implicará novo sacrifício para que o setor se ajuste em um cenário já conturbado economicamente.

Em nota, a associação destacou que as empresas do setor atendem mais de 1 milhão de varejistas brasileiros e mantêm uma frota de mais de 155 mil veículos, entre próprios e terceirizados. “O governo sinaliza um caminho mais fácil para cobrir o rombo nas contas públicas”, criticou. “Não é, definitivamente, o que os empresários e os trabalhadores esperam. É lamentável. Queremos empenho, seriedade e soluções viáveis, que não onerem ainda mais o setor produtivo.”

Outros setores

Outras associações também manifestaram desagrado. Conforme o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Fernando Pimentel, o aumento no custo do frete terá maior impacto sobre produtos de menor valor. Isso porque, proporcionalmente, ele levará a um encarecimento maior dos itens. “O impacto inflacionário não será dramático, mas mas estão usando uma receita velha para resolver isso o problema fiscal”, afirmou.

Em nota, o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), João Sanzovo, disse que o aumento no valor dos combustíveis terá reflexo em toda a cadeia de abastecimento e penalizará toda a sociedade. Já a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) avaliou que o momento para a indústria é de reafirmação de planos e propósitos, com ligeira retomada, não sendo o cenário e a época adequados a uma elevação tributária.

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