Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

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Brasil O Banco Central quer incentivar o uso de imóveis quitados e com a documentação em dia como garantia para a tomada de empréstimos pessoais

Objetivo, segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é aumentar o acesso ao crédito; modalidade tem taxas mais atrativas e prazo maior para pagamento. (Foto: EBC)

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, monta uma agenda de projetos para tentar destravar o crédito e reduzir os custos dos financiamentos no País. Uma das medidas é facilitar a utilização de imóveis como garantia de empréstimos.

Qual é a modalidade de crédito que o Banco Central quer incentivar?

“Conhecida por home equity, a modalidade usa um imóvel como garantia do empréstimo. A destinação do financiamento pode ser as mais diversas: capital para abertura de um novo negócio, pagar faculdade, quitar dívida. Mas para usar o imóvel como garantia é preciso que ele esteja quitado e com a documentação em dia. De acordo com fontes do BC, cerca de 95% dos imóveis brasileiros são quitados”, disse Campos Neto.

Qual a vantagem desse sistema?

“A modalidade de home equity é uma alternativa com taxas mais atrativas e juros mais baixos, além de ter prazo maior para o pagamento do empréstimo. O valor do empréstimo costuma ser limitado, de acordo com o valor do imóvel. As condições são mais vantajosas porque o imóvel é dado como garantia”.

Esse tipo de empréstimo já existe no Brasil?

“Já, mas não é muito comum, por causa de custos muito altos atrelados à operação. Dependendo do banco, antes de liberar essa linha de crédito, se exige uma avaliação do imóvel, verificação jurídica, seguros, registro do imóvel e tarifa de cadastro. Além disso, para financiar um imóvel, o cliente não paga IOF [Imposto sobre Operações Financeiras], mas na operação de crédito que usa o imóvel como garantia [como o home equity], sim. Tudo isso pode ultrapassar R$ 2 mil”.

De que forma isso pode ser incentivado pelo BC?

“A instituição quer atuar para reduzir a burocracia e, assim, baratear os custos. Por exemplo: se o empréstimo que o cliente quer pegar for de um valor não muito alto, permitir que o terreno seja dado como garantia [o que dispensaria os custos de uma nova avaliação do imóvel]. O Banco Central também quer criar um sistema simplificado que evite a necessidade de registros duplos do imóvel no cartório”.

Essa modalidade não é uma hipoteca?

“Não. Hipoteca e home equity são formas de empréstimo que usam o imóvel já quitado como garantia. A principal diferença é que, no home equity, o imóvel fica sob a posse do banco [alienação fiduciária], até que a dívida seja quitada. Na hipoteca, que praticamente caiu em desuso no Brasil, isso não acontecia. Isto é, a propriedade era mantida no nome do devedor. Em caso de calote, o banco precisava entrar na Justiça para conseguir tomar o imóvel”, finalizou.

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