Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2026
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e citou também que o governador já esteve em sua casa. Ibaneis é o primeiro político a ser citado em juízo pelo banqueiro.
Procurado, o governador disse que não conversou com Vorcaro sobre o assunto e afirmou que esteve apenas uma vez na casa do empresário. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando o conheci. Entrei mudo e saí calado”, afirmou ao Estadão.
As declarações do banqueiro foram dadas no depoimento prestado no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 30 de dezembro, no inquérito que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo a tentativa de venda do Master para o banco estatal do DF, subordinado a Ibaneis. Essas foram as primeiras citações que surgiram no inquérito a respeito da participação do governador no assunto. Ele não é investigado.
Vorcaro não entrou em detalhes sobre as conversas com Ibaneis a respeito da operação financeira. No depoimento, a delegada da PF Janaína Palazzo perguntou a Vorcaro especificamente se ele já havia tratado com Ibaneis Rocha sobre a proposta de aquisição do Master pelo BRB – feita em março do ano passado e vetada pelo Banco Central (BC) em setembro. O banqueiro respondeu positivamente e disse que o assunto foi abordado em encontros institucionais com Ibaneis, com a participação de outras pessoas.
A delegada perguntou a Vorcaro se o governador já havia comparecido à casa do empresário. O banqueiro confirmou que sim e disse que ele próprio também já esteve na residência do governador. O empresário não deu detalhes sobre os diálogos desses encontros, e a delegada tampouco se aprofundou sobre esses pontos.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa também citou em depoimento prestado no mesmo dia que Ibaneis foi informado sobre o andamento das operações financeiras do banco estatal com o Master. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Estadão.
Ibaneis estimou inicialmente que a venda do Master para o BRB aumentaria a distribuição de dividendos para R$ 1 bilhão por ano para os cofres do Distrito Federal.
Num primeiro momento, tentou efetuar o negócio sem autorização da Câmara Legislativa do DF, mas foi obrigado pela Justiça a obter aval dos deputados distritais. Após a liquidação do banco, agora estuda aportes ao BRB para cobrir prejuízos com a compra de créditos “podres” do Master.
O rombo do BRB é estimado em R$ 4 bilhões. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal apontaram indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes ao banco estatal.
Como revelou a Coluna do Estadão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou em conversas recentes que o governo do DF dê um socorro financeiro ao BRB, que pode sofrer uma intervenção do BC.
As declarações de Ibaneis e da vice-governadora do DF, Celina Leão (PP), mudaram de tom ao longo do ano passado diante dos desdobramentos e complicações do caso. Em março, quando o BRB anunciou a oferta de compra de parte do Master por R$ 2 bilhões, o governador disse que se tratava de um “dia de festa”.
Em abril, ele afirmou que a operação apresentava pouco risco ao BRB, uma vez que, segundo ele, o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, havia deixado de fora da transação ativos de maior risco. Dias depois, em entrevista ao Estadão, o governador afirmou que era “importantíssimo” que o setor privado estivesse junto na transação, por meio de uma negociação privada dos ativos do Master que não interessassem ao banco estatal.
Após o veto do BC ao negócio, Ibaneis adotou tom mais cauteloso. “Se for inviável, nós vamos parar e vamos trabalhar outras oportunidades para que o Banco de Brasília possa avançar”, declarou a jornalistas em evento nos EUA.
Depois de o BC anunciar a liquidação do Master, em novembro, a vice-governadora disse que o próprio Ibaneis havia determinado a troca do presidente do BRB. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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