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Brasil O bebê baleado quando ainda estava no útero pode ter salvo a vida da mãe, dizem os médicos

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Mãe da criança recebeu alta na quinta-feira. (Foto: Reprodução)

O bebê Arthur, atingido por um tiro ainda no ventre da mãe, na semana passada, pode ter salvado a vida da mulher da mãe, Claudineia dos Santos. Os médicos do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, onde a criança está internada, acreditam que o pequeno e frágil conteve o percurso da bala. Eles fizeram a ressalva, no entanto, de que essa informação só poderá ser totalmente confirmada com os profissionais que o atenderam no hospital Moacir do Carmo, onde o bebê foi atendido primeiramente.

O estado de saúde do menino ainda é grave, e ele corre o risco de ficar paraplégico. A avaliação é do médico Eduardo de Macedo Soares, coordenador médico da UTI Neonatal da instituição, durante entrevista coletiva no auditório da unidade, na manhã dessa sexta -feira. “Ele é muito forte e já pode ser considerado um guerreiro, um vitorioso”, declarou Soares.

Episódio

Aos 9 meses de gestação, Arthur foi ferido por uma bala perdida que atingiu a barriga de sua mãe, Claudineia dos Santos, na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ), na sexta-feira da semana passada. De acordo com outro médico do hospital, Vinícius Mansur Zogbi, coordenador de Neurologia do hospital, a bala passou de raspão pela cabeça da criança, atingiu e fraturou a sua clavícula, perfurou os dois pulmões e atingiu a coluna cervical, antes de trespassar o corpo da criança.

“Foi feita uma laminectomia descompressiva, uma cirurgia de descompressão da medula para que o órgão se recupere mais rapidamente”, explicou Zogbi, acrescentando que a futura mobilidade da criança depender da evolução deste quadro vertebral crítico.

Nessa sexta-feira, Artur recebeu a segunda visita consecutiva dos pais. Na quinta-feira, a mulher recebeu alta médica e deixou em uma cadeira de rodas o Hospital Moacir do Carmo, onde estava internada, após a chegada de familiares. Ela estavqa com um vestido florido e conversou rapidamente com os jornalistas, antes de entrar no carro. “Estou com muita, muita vontade de ver o bebê”, afirmou à imprensa. Ela acrescentou que seu maior sonho, no momento, é poder tocá-lo e disse ainda não saber explicar tudo o que aconteceu com ela.

Estatística

Os mais recentes dados extra-oficiais referentes a incidentes com bala perdida remontam a 2015. Naquele ano, ao menos 50 pessoas morreram e outras 85 ficaram feridas nesse tipo de episódio em todo o Brasil. A Polícia Civil não contabiliza mortes do tipo, obrigando a imprensa a fazer levantamentos com base em notícias que ela própria publica em veículos impressos e virtuais.

Estima-se que quase 20% dos óbitos desse tipo sejam resultado de disputas entre criminosos e outros 20% sejam o que muitos consideram “efeito colateral” de confrontos entre policiais e suspeitos, sobretudo em comunidades populares de grandes metrópoles como Rio de Janeiro e Porto Alegre. No segundo tipo de caso, o tráfico de drogas é um dos fatores preponderantes para que projéteis atinjam inocentes na rua ou mesmo dentro de casa.

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