Segunda-feira, 07 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de agosto de 2018
O Brasil é o país com o maior número de mortos por arma de fogo no mundo, totalizando 42 mil casos em 2016, revelou uma pesquisa da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
O estudo, intitulado “Global Mortality From Firearms”, analisa todas as mortes causadas por armas de fogo no mundo (homicídios, suicídios e incidentes) entre os anos de 1990 a 2016, baseando-se nos dados do Estudo Global da Carga de Doenças, programa sobre mortalidade.
A análise afirma que, nos últimos anos, os mortos por arma de fogo no mundo aumentaram, e mais da metade dos casos (51%) se concentram em seis países: Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, Venezuela e Guatemala.
Calcula-se que 251 mil pessoas morreram por armas de fogo em 156 países recenseados durante o ano de 2016, contra 209 mil mortes em 1990. O Brasil lidera a classificação de 2016, com 42 mil mortos, seguido pelos Estados Unidos, com mais de 37 mil. Já o México, Colômbia e Venezuela contabilizam entre 10 e 20 mil cada, e a Guatemala conta pouco mais de 5 mil.
No geral, 64% dessas mortes foram causadas por homicídio (sendo que o Brasil contabiliza um quarto desse total), 27% por suicídio e 9% por incidentes.
De acordo com os pesquisadores, a maioria das mortes se deu em países onde não há guerra em território nacional. “Ainda que pelo aumento da população, a taxa de mortes a cada 100 mil habitantes tenha ligeiramente caído, o número absoluto continua muito alto”, explicou Mohsen Naghavi, um dos estudiosos. “As mortes por arma de fogo são um problema de saúde pública”, concluiu.
Mortes violentas
O Brasil contabilizou 63.880 mortes violentas ao longo de 2017. O número, que significa média de 175 mortes por dia (ou ainda 7,2 por hora), representa o novo recorde da violência no País, conforme o novo anuário da segurança divulgado no último dia 9 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o estudo, o total de assassinatos reportados pelas secretarias estaduais de segurança de todo o País em 2017 supera em 2,9% o índice do ano anterior e trata-se do maior número desde que os dados da violência começaram a ser compilados pelo FBSP, em 2013.
A maioria esmagadora dessas mortes decorreram de homicídios dolosos, crime responsável por 55.900 das mortes violentas ocorridas em 2017 (crescimento de 2,1% em relação ao ano anterior). Também houve 2.460 casos de latrocínio e 955 mortes ocorridas após episódios de lesões corporais.
A taxa de mortes violentas no Brasil hoje é de 30,8 para cada 100 mil habitantes. Esse índice chega a 68 (por 100 mil) no Rio Grande do Norte, o estado onde mais corre-se riscos de se tornar vítima de assassinato em todo o País. A efeito de comparação, a Comissão Europeia divulgou no início desta semana que a taxa de mortes violentas nos países que integram o bloco europeu é de 1,3 por grupo de 100 mil habitantes.
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