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Por Redação O Sul | 21 de abril de 2020
O Brasil caiu pelo segundo ano seguido e ocupa agora o 107° lugar, entre 180 países, no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, elaborado pela ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) e divulgado nesta terça-feira (21). A entidade analisa que a queda aconteceu em um contexto de deterioração das condições para o livre exercício do jornalismo, acelerada pela pandemia da Covid-19. O país caiu duas posições em relação ao levantamento anterior.
De acordo com a ONG, o ambiente cada vez mais hostil ao jornalismo, alimentado por autoridades públicas, aprofunda o cenário de deterioração na América Latina como um todo. O Brasil já vinha caindo no ranking. O país está agora atrás de Angola (106), Montenegro (105) e Moçambique (104).
O relatório da organização afirma que a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, “deu início a uma era particularmente sombria da democracia e da liberdade de imprensa no Brasil”. Naquele ano, o país ocupava a posição 102 na lista, caindo para a 105 em 2019.
“O presidente Bolsonaro, sua família e vários membros de seu governo insultam e humilham constantemente alguns dos principais jornalistas e meios de comunicação do país, alimentando um clima de ódio e suspeita em relação ao jornalismo no Brasil”, aponta a ONG. “Meios de comunicação e jornalistas, sobretudo mulheres, são alvos constantes de ataques do presidente e de seus aliados, em particular nas redes sociais”, destaca o relatório.
No último domingo, jornalistas e um fotógrafo foram agredidos em manifestações a favor de intervenção militar em Brasília e Porto Alegre.
Ainda na América Latina, o México aparece na posição 143. Ao menos dez jornalistas foram assassinados no país no ano passado. Na edição de 2020, a Noruega manteve seu primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo em liberdade de imprensa, seguida de Finlândia e Dinamarca. Eritreia (178), Turcomenistão (179) e Coreia do Norte (180) ocupam as últimas posições.
O México aparece na 143 posição. Ao menos 10 jornalistas foram assassinados no país no ano passado. Na edição de 2020, a Noruega manteve seu primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo e a Coreia do Norte assumiu o último lugar, antes ocupado pelo Turcomenistão.
Estados Unidos
Apesar de críticas feitas pela pesquisa ao presidente Donald Trump, os Estados Unidos subiram no ranking da organização: passaram a ocupar o 45º lugar, três acima do 48º do ano passado. A entidade ressaltou que “prisões, ataques físicos (…) e assédio a jornalistas continuaram em 2019” nos EUA, apesar de o número de profissionais presos no ano passado ter sido “ligeiramente menor” do que no ano anterior, segundo a organização.
“Sob o presidente Trump, a Casa Branca substituiu estrategicamente as formas tradicionais de acesso à imprensa por aquelas que limitam a capacidade dos jornalistas de fazer perguntas à administração”, ressalta o relatório.
Para a ONG, a pandemia de Covid-19 mostrou crises que ameaçam o direito a informações livres, independentes, plurais e confiáveis. O ranking é publicado anualmente desde 2002 e avalia a situação para o exercício do jornalismo em 180 países, com relação ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência das mídias, ambiente e autocensura, arcabouço legal, transparência, qualidade da infraestrutura de suporte à produção da informação e violência contra a imprensa. As informações são do jornal O Globo.
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