Terça-feira, 28 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de outubro de 2018
Excluindo a Venezuela – que passa por grave crise econômica e social -, o Brasil se tornará o país emergente com maior dívida bruta em relação ao PIB em 2019, informou na noite desta terça-feira o FMI (Fundo Monetário Internacional) em seu relatório “Monitor Fiscal”, divulgado em Bali, na Indonésia. Atualmente, o País ainda é superado, na relação dívida/PIB, pelo Egito.
Há cinco anos (2013) o Brasil tinha apenas a nona maior dívida entre as 40 nações em desenvolvimento analisadas pelo Fundo.
De acordo com as projeções do FMI, a dívida bruta do País passará de 84% do PIB em 2017 para 88,4% neste ano e 90,5% do PIB em 2019. A dívida continuará subindo até chegar a representar 98,3% do PIB em 2023. Antes da recessão de 2015 e 2016, a dívida bruta estava sempre no patamar de 60% do PIB.
A dívida bruta brasileira está pior que a média dos 40 emergentes (50,7%) e que do conjunto apenas dos países latino-americanos. Mesmo levando em conta a dívida de 159% do PIB Venezuelano, a dívida média da região é de 66,9%.
Os percentuais das dívidas apresentados pelo Fundo são diferentes dos divulgados pelo Banco Central já que o FMI coloca no cálculo títulos emitidos pelo governo brasileiro, mas que não são negociados no mercado, como empréstimos entre o governo federal e estatais. O Fundo alerta que, pelos cálculos do governo brasileiro, a dívida bruta total do País seria de 74% do PIB em 2017 – dez pontos percentuais a menos do que utilizando sua metodologia.
O Monitor Fiscal, divulgado em Bali, não faz, contudo, nenhuma grande análise sobre o Brasil. De maneira geral, apesar de reconhecer alguns avanços no equilíbrio fiscal, sobretudo nos países avançados, lembra que a situação fiscal da maior parte do mundo ainda é pior do que antes da crise global de 2008.
“As cicatrizes da crise financeira mundial no patrimônio público seguem sendo visíveis uma década após”, afirma o documento. “Estas cicatrizes colocam novamente em destaque a importância do equilíbrio das contas públicas, mediante uma redução da dívida e investimento em ativos de melhor qualidade”.
Alerta para políticas nacionalistas
Em relatório, Maurice Obstfeld, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional também alertou para os riscos que se apresentam diante da economia mundial. O organismo também chamou a atenção para o fato de que os Estados Unidos serão o grande prejudicado por uma guerra comercial que parece mais real a cada dia que passa.
O Fundo ainda chamou atenção para o fato de que o crescimento está apoiado por políticas cada vez mais insustentáveis e também para as cooperações globais que estão sendo minadas por políticas nacionalistas, destaca o jornal Financial Times. Um exemplo citado pelo fundo como insustentável, de acordo com o FT foi a política fiscal de Donald Trump.
Em todos os cenários de aumento de barreiras alfandegárias, a China seria a mais prejudicada nos primeiros anos. Mas o seguinte seria os EUA. E, a longo prazo, Washington acabará sendo muito mais castigado, com quedas do PIB de quase um ponto percentual.
Em todo o mundo, apenas seus parceiros do recém-rebatizado tratado de livre comércio (México e Canadá, com quem os EUA formavam o antigo Nafta) sofreriam uma retração maior na economia.
Se a guerra comercial continuar, o Fundo estima que ela reduziria o crescimento da economia global em mais de 0,8% em 2020. E, a longo prazo, ficaria 0,4% abaixo das projeções sem o cenário de tensões comerciais.
Já na China, a expansão da economia seria reduzida em 1,6% em 2020, enquanto nos EUA esse percentual seria de 0,9%, apontam os cálculos do FMI.
O relatório do organismo afirma também que os mercados financeiros ainda não refletiram o aumento nas ameaças à economia mundial, diz o Financial Times.
O jornal também ressalta o alerta do Fundo de que o mundo está agora em “um ambiente onde condições financeiras podem se apertar de repente e bruscamente”, segundo o relatório. E instou os países a construírem reservas para a próxima queda na economia.
O FMI aponta também que os efeitos da crise financeira de 2008 persistem. “Já há sinais de possíveis consequências de longo prazo da crise no crescimento potencial, por meio de impactos em migração, fertilidade e aumento da força de trabalho. E o apoio da sociedade para a abertura e a integração econômica flobal parece ter se enfraquecido em muitos países depois da crise. O corolário disso é o crescente apelo do populismo e de panaceias protecionistas.”
E, em post no blog do Fundo intitulado “Crescimento Global se Estabiliza Conforme Riscos Econômicos se Materializam”, Obstfeld chama a atenção também para a necessidade de preparar a mão de obra para as transformações que a tecnologia causará no mercado de trabalho.
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