Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de março de 2021
Epicentro da pandemia, o Brasil vê o número de casos e mortes aumentar a cada dia em descompasso com a vacinação, que teve a previsão de doses para março reduzida. Mantido o atual ritmo, o Brasil pode chegar a 15 milhões de infectados e a 100 mil casos por dia, na média móvel, antes do fim de março, segundo projeções do cientista da USP de Ribeirão Preto Domingos Alves, do portal Covid-19 Brasil. Usando um modelo conservador, ele projeta que o País chegará a 70 mil casos diários na média móvel na semana que vem.
A devastação da Covid-19 não cessa e Alves estima que o País chegará a 300 mil mortos entre 25 e 27 de março, talvez antes. A previsão se baseia em uma taxa de 1.500 mortes por dia. Porém, Alves também avalia que devemos alcançar a marca de 2.000 mortes diárias, na média móvel, até o fim da semana que vem. E até o dia 26, calcula, poderemos ter 3.000 óbitos por dia.
O País vacinou, até a noite de sexta-feira (12), apenas 4,50% de sua população, e somente 1,64 % tomaram as duas doses. Mas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reduziu de 30 milhões para de “de 22 a 25 milhões” as doses que devem chegar até o fim do mês. Foi a quinta diminuição no cronograma de vacinação do governo. A cobertura vacinal de 70% da população, considerada a mínima necessária para uma imunidade coletiva, não será alcançada antes do fim do ano, afirmam especialistas.
Para a volta à normalidade, três variáveis devem ser consideradas, afirma o vacinologista Herbert Guedes, professor do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes/UFRJ. São elas os números de vacinados, de casos graves de Covid-19 e de novos casos. Somente quando o de vacinados aumenta ao passo que os demais diminuem, será possível pensar em flexibilização de medidas coletivas e pessoais.
“O atual cenário é o de esgotamento do sistema de saúde e de total descontrole do coronavírus devido à falta de uma política pública nacional contra a pandemia. Nunca fizemos distanciamento corretamente e tampouco agora temos vacinação em massa, com falta de doses e de logística. É impossível neste momento saber quando a vacinação terá impacto no Brasil”, afirma a sanitarista e epidemiologista Carla Domingues, que esteve à frente do Programa Nacional de Imunizações (PNI) por oito anos (2011-2019).
Para os especialistas o percentual ideal de população vacinada para reduzir as internações e mortes é incerto. Mas Domingos Alves diz que é possível ter uma ideia, se forem tomados como referência os dados de Israel, um dos países mais avançados do mundo na vacinação e que observou uma redução de 60% em internações e mortes, quando vacinou 30% da população.
“Em cerca de um mês, o país conseguiu vacinar, no máximo, 2,41% da população com a segunda dose. Nesse ritmo, para chegarmos a 30% da população vacinada, levaremos 19 meses”, diz Alves. Alguns Estados poderiam conseguir em 15 meses, mas, mesmo assim, não chegariam a 30% antes de junho de 2022. Alves calcula que, para reduzir óbitos e internações com vacinas até dezembro de 2021, teríamos que vacinar por mês 3,1% da população. Isso significa dobrar a taxa atual.
Quando questionados sobre o que precisamos fazer até chegarmos a uma cobertura vacinal mais ampla, os especialistas são unânimes em destacar a necessidade de que, após mais de um ano de Covid-19 e de 270 mil mortes, o Brasil finalmente tenha uma política pública definida contra a pandemia; com medidas mais duras e amplas de distanciamento social.
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