Sábado, 23 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil As internações de idosos com 90 anos ou mais caem 20% após o início da vacinação

Compartilhe esta notícia:

Os dados indicam que a imunização dos grupos mais vulneráveis pode já estar causando impacto positivo na evolução da pandemia nessa população. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

O número de novas internações de idosos com 90 anos ou mais por coronavírus caiu 20% após pouco mais de um mês do início da campanha de vacinação, o que contrasta com a alta de 10% no número geral de hospitalizações pela doença observada no mesmo período no País. Na faixa etária dos 30 aos 39 anos, o aumento foi de 50%. Os dados indicam que a imunização dos grupos mais vulneráveis, iniciada em 18 de janeiro, pode já estar causando impacto positivo na evolução da pandemia nessa população e reforçam a necessidade de aceleração da campanha.

Os índices foram calculados com base nos dados do Sivep-Gripe, sistema do Ministério da Saúde que traz os dados sobre internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). Selecionando só os registros com confirmação para covid por faixa etária, a reportagem verificou que o número de novas hospitalizações de pessoas com 90 anos ou mais caiu de 528 na última semana epidemiológica (SE) de janeiro – primeira após o início da campanha – para 425 na última SE de fevereiro, quando o programa de imunização completava cinco semanas.

Se considerado todo o grupo de idosos, ou seja, brasileiros com 60 anos ou mais, também houve uma queda nas internações, ainda que tímida: 2,7% (de 9.327 para 9.073 casos entre as semanas analisadas). Já o número de novas internações por covid em todas as faixas etárias subiu de 16.699 para 18.347 (alta de 10%). Entre a população de 30 a 39 anos, na qual foi registrado o maior aumento porcentual (50%), as novas internações passaram de 1.292 para 1.767 no intervalo analisado.

A análise foi feita até a última semana epidemiológica de fevereiro (SE 8) porque a notificação dos casos no sistema federal costuma demorar dias ou semanas, o que faz os dados mais recentes, de março, estarem incompletos ou defasados. Por essa razão, o Estadão também decidiu não analisar os dados de óbitos por faixa etária, pois como a morte costuma ocorrer semanas após a infecção, os dados do final de fevereiro provavelmente seriam referentes a infecções prévias à vacina.

A campanha de imunização no País teve início em 18 de janeiro com a vacinação de profissionais de saúde, indígenas e idosos que vivem em instituições de longa permanência. No começo de fevereiro, a maioria dos Estados ampliou a campanha para qualquer idoso a partir de 90 anos.

Especialistas dizem que ainda é cedo para atribuir a redução somente à vacinação, principalmente pelo fato de as vacinas precisarem de três a seis semanas, dependendo do imunizante, para conferir proteção. Mas admitem que os primeiros resultados da campanha podem já estar aparecendo. “Uma diminuição de 20% nas hospitalizações já é um número que nos anima, em especial em um grupo que a gente sabe ser muito vulnerável. Esse dado, ainda que preliminar, confirma estudos de efetividade feitos em países com vacinação mais acelerada e que viram quedas nas mortes e hospitalizações. São resultados da vida real que mostram que a vacina funciona”, diz Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Ele se refere a análises feitas na Europa com os resultados de efetividade da aplicação em massa dos imunizantes da Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca, esta última disponível em Brasil. Cunha explica que, embora ainda não tenhamos estudos do tipo para a Coronavac, é comum que imunizantes com mais de uma dose já comecem a provocar alguma resposta imune mesmo antes de concluído o esquema vacinal. “Em todas as vacinas que têm esquema de mais de uma dose, a imunidade vai num crescente a partir da primeira e chega ao índice máximo, aquele visto no estudo clínico, depois da conclusão de todas as doses.”

Segundo estudos, a vacina Covishield, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, tem eficácia de 76% após três semanas da aplicação da primeira dose. Já a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, alcança a eficácia ideal duas semanas após a segunda dose (o tempo total entre a primeira dose e a proteção varia de 5 a 6 semanas, dependendo do intervalo entre as duas doses). Isso não quer dizer, como explicou Cunha, que antes disso não haja nenhuma proteção, mas esses dados ainda não estão disponíveis.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Primeira cidade a vacinar em massa encerra etapa de imunização
O Brasil terá quadro explosivo de coronavírus até o ano que vem se não acelerar a vacinação e adotar medidas, dizem cientistas
Pode te interessar