Sexta-feira, 31 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 30 de julho de 2026
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nessa quinta-feira (30) que o Brasil vai retomar as negociações com os Estados Unidos em busca da redução das alíquotas e da ampliação da lista de produtos isentos do tarifaço de 37,5% imposto pela Casa Branca. Segundo ele, também será proposta uma rediscussão do mérito da medida, embora essa possibilidade seja considerada pouco provável pelo próprio governo.
“O que nós vamos discutir a partir do mês de agosto, no momento em que for possível, é a ampliação da lista de exceções, a eventual redução de tarifas, a rediscussão do mérito, que é muito improvável. E o Brasil, volto a dizer, está aberto para a negociação. Nós vamos voltar a falar. No momento, as circunstâncias é que vão determinar”, disse o ministro.
A declaração foi dada a jornalistas durante o evento da ApexBrasil, no qual o ministro discursou ao lado de representantes do Ministério da Agricultura e do Itamaraty para celebrar os resultados do agronegócio brasileiro no comércio exterior.
A expectativa é que as conversas possam ser retomadas quando as tarifas já estiverem plenamente em vigor. Caso os Estados Unidos não procurem o Brasil primeiro, disse Elias Rosa, a iniciativa partirá do lado brasileiro. Até o momento ainda não há nenhuma reunião bilateral marcada.
O ministro lembrou que a equipe brasileira se comprometeu, em reunião com o chefe do escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, a manter o diálogo mesmo diante de um eventual aumento de tarifas. O último encontro entre as partes ocorreu em 14 de julho, véspera do anúncio da alíquota de 25% sobre produtos brasileiros.
Dias depois, uma segunda sobretaxa, de 12,5%, foi aplicada sob a justificativa de suposta leniência brasileira no combate à importação de produtos ligados a trabalho escravo, penalidade que atinge outras 59 economias.
Contestação de tarifas na OMC
Durante o evento, Marcio Elias afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) “nunca fez tanta falta”. Segundo ele, embora a entidade continue funcionando — tanto que o Brasil recorreu ao órgão para contestar as tarifas impostas pelos Estados Unidos —, o sistema de solução de controvérsias perdeu efetividade após o Órgão de Apelação deixar de operar por falta de juízes.
O governo brasileiro formalizou nesta semana um pedido de consultas na OMC, primeira etapa de uma disputa comercial contra os Estados Unidos. Na manifestação, o Brasil sustenta que as tarifas impostas pela Casa Branca violam regras do comércio internacional, ao ultrapassar os limites negociados na organização, discriminar produtos brasileiros em relação aos de outros países e adotar medidas unilaterais sem recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da entidade.
Para Marcio Elias, o enfraquecimento da OMC abriu espaço para que países imponham barreiras comerciais de forma unilateral. “Essa OMC faz muita falta”, afirmou. As informações são do jornal O Globo.
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