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Notícias Fernando Henrique Cardoso disse que há uma quebra de confiança no Brasil entre os políticos e a sociedade

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Segundo ele, quase tudo melhorou no País desde o Plano Real, exceto a política.(Créditos: Tiago Ribeiro)

Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o atual momento político brasileiro está muito difícil e por isso é preciso saber quem são os candidatos que têm planos de voo. “Sem plano de voo não se chega a lugar nenhum”, disse FHC. “Amarre o cinto, vai trepidar”, apontou, durante sua participação de um painel ao lado do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, no congresso Expert 2018, promovido pela XP Investimentos, em São Paulo.

Questionado sobre o principal desafio dos políticos de hoje, ele respondeu que é recuperar a confiança da sociedade. FHC afirmou que os casos de corrupção desvendados pela Operação Lava-Jato causaram uma quebra de confiança.

“Houve quebra de confiança nos homens que governam o País e ninguém ganha confiança sem transmitir a esperança de um futuro melhor”, afirmou o tucano.

Segundo ele, quase tudo melhorou no País desde o Plano Real, exceto a política. “Tudo melhorou no Brasil, menos a política. É só olhar a mortalidade infantil, o analfabetismo. Mas as pessoas olham e não veem. Elas se preocupam com o futuro do emprego delas. Com a educação dos filhos e se essa educação vai servir para alguma coisa.”

No entanto, ele disse que alguns problemas do Brasil ainda causam constrangimento, caso da desigualdade social, desemprego e falta de brilho econômico.

FHC afirmou que uma das características da democracia é convencer o outro, mesmo quando ele não quer escutar. Ele defendeu o que chama de “utopia viável”.

Questionando sobre o risco de baixa renovação do Congresso Nacional nas próximas eleições, FHC citou uma frase de Uysses Guimarães: “Você acha que esse é ruim? Espera para ver o próximo”.

O tucano disse que o Congresso atual representa melhor as várias fatias da sociedade, como sindicalistas, religiosos e empresários. Em detrimento dessa melhor representação, transformou-se em um Congresso menos elitista e menos estudado.

Atuante

Recentemente FHC escreveu uma “carta aos eleitores e eleitoras” de pouco mais de 4 páginas, na qual alertou para o perigo de uma eleição polarizada entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) e, sem citar nomes, apelou para que presidenciáveis do centro, “que não apostam em soluções extremas, se reúnam e apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver”. Segundo o ex-presidente, “ainda há tempo para deter a marcha da insensatez”.

FHC não menciona nomes no documento. Horas depois, no Twitter, procurou ser explícito: “Quem veste o figurino é o Alckmin, só que não se convida para um encontro dizendo ‘só com este eu falo'”.

Um entrave para viabilizar tal união é o fato de o terceiro colocado nas pesquisas ser Ciro Gomes (PDT), hoje eleitoralmente mais competitivo do que Alckmin.

O ex-presidente afirma que é preciso romper “a radicalização dos sentimentos políticos”que seria representada pela atual polarização. “A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta”, ressaltou FHC, em evidente referência a Bolsonaro, acusado na sequência de estimular uma pregação de ódio.

 

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