Sexta-feira, 26 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 25 de junho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O Brasil virou um curral. Não de gado, mas de ideias. E o nome desse brete é LuloBolsonarismo. Não pertenço e nunca pertenci a esse cercado ideológico. Talvez por isso tenha sido eleito por unanimidade presidente da Câmara da Capital dos gaúchos. Desde a posse, a frase que mais repito é: “Menos polarização, mais entrega à população.” Uma luta difícil, mas que já contribuiu para conquistas importantes. Exemplo disso é a aprovação do novo Plano Diretor, debatido de forma democrática, com respeito às divergências, e também os avanços do Pacto pelas Crianças, tema que nossa Casa Legislativa defende neste ano.
Dias atrás, em uma roda de conversa, perguntei a um grupo de moradores: “Em qual partido você vota?” A resposta veio pronta, quase automática: “Sou contra X.” Ninguém disse “sou a favor de Y”. A oposição virou identidade. O apoio virou negócio.
O pragmatismo eleitoreiro transformou partidos em balcões. Ontem gritavam “nunca” no palanque; hoje sentam à mesa do ministério e assinam acordos. Trocam discurso por cargo em ministérios, princípio por poder. Poucos ficaram de fora. Os que não se venderam para Lula, venderam-se para Bolsonaro, e vice-versa. E os que não se venderam a nenhum dos dois, quase ninguém conhece o nome.
Achamos que escolhemos um lado, mas é o lado que escolhe a gente. Com o celular na mão e a rede social aberta, o algoritmo empurra raiva, indignação e conflito. A bolha mobiliza, irrita e manipula. É inaceitável que um país tão rico e diverso esteja refém de duas faces da mesma moeda. O poder virou fim, não instrumento. Quem deveria fiscalizar virou sócio. Quem deveria julgar virou torcida. A ética praticamente sumiu de Brasília.
Mas nem tudo está perdido. Ainda existem lideranças, poucas, é verdade, que remam contra a corrente. Gente que não entrou no brete, que não trocou convicção por conveniência, que ainda fala de projeto, futuro e pessoas. Minha esperança está nelas. Mas esperança sem coragem não muda nada. É preciso reagir. O Brasil não nasceu para ser apenas sobre Lula ou Bolsonaro. Nasceu para ser plural, contraditório e criativo. Se não quebrarmos esse brete agora, em breve nem lembraremos como era pensar fora dele. E aí, sim, teremos perdido de vez.
* Moisés Barboza é presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre
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