Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de dezembro de 2020
O coronavírus começou assolando a Europa com uma onda de infecções que quase colapsou seus hospitais – exaurindo, infectando e matando médicos e enfermeiros. Os lockdowns abriram algum espaço nas enfermarias de terapia intensiva, mas isso durou pouco. Nos últimos meses, o continente testemunha mais uma onda atingir seus países com força quase igual. Os corredores dos hospitais voltaram a ficar lotados e os respiradores, sobrecarregados.
Com o aumento das taxas de mortalidade, os governos impuseram novas restrições, na esperança de salvar suas economias e, ao mesmo tempo, manter o vírus sob controle. Não deu certo. Em dezembro, os gráficos que traçam o curso da pandemia pareciam mais uma montanha-russa do que uma curva.
A única constante de tudo isto tem sido a pressão sobre os trabalhadores da linha de frente nos hospitais – que correram riscos maiores do que a maioria, ajudaram a curar os doentes e tiraram inúmeros infectados da beira da morte.
Poucos países na Europa relatam o status dos trabalhadores de saúde dos casos de covid-19 como parte de relatórios epidemiológicos de rotina. Mas em geral, como mostrou um estudo publicado pelo americano National Center for Biotechnology Information, esses profissionais correm um risco 3,4 vezes maior do que as outras pessoas de testar positivo para a covid-19.
Segundo uma reportagem de novembro da revista Forbes, citando um estudo feito em 37 países do International Journal of Infectious Diseases, quase 300 mil profissionais de saúde foram infectados com covid-19 e mais de 2.500 morreram até agosto.
Não ajudou a Europa o fato de seus líderes ainda estarem lutando para controlar uma pandemia que escapou de todas as suas prescrições políticas. Basta dizer que o próprio presidente Emmanuel Macron testou positivo para o coronavírus este mês.
A gente achava que tinha acabado”, disse Gabriele Ponti, de 58 anos, enfermeiro do hospital Papa Giovanni XXIII em Bergamo, epicentro da primeira onda da epidemia no Norte da Itália. “A pergunta agora é: vai ser melhor ou pior do que já foi?”, disse ele.
Os fardos já consideráveis que caem sobre os profissionais de saúde pioraram em todo o continente nas últimas semanas, de acordo com o Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças, uma agência da União Europeia.
A ocupação e as internações em hospitais e unidades de terapia intensiva aumentaram entre a segunda e terceira semana deste mês em pelo menos uma dúzia de países. “A transmissão ainda está generalizada”, alertou um documento no final da semana passada.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson, enfrentando uma cepa do vírus que se espalha mais rapidamente, isolou Londres e grande parte do sudeste da Inglaterra e proibiu as comemorações de Natal fora das residências.
Os hospitais do país estão cancelando procedimentos não urgentes e lutando para encontrar espaço para pacientes com covid-19.
As autoridades colocaram uma área da Inglaterra que abriga 24 milhões de pessoas sob restrições que exigem o fechamento de lojas não essenciais e permitiram que restaurantes e pubs operem apenas se os clientes levarem os alimentos.
Alemanha
Em entrevista ao site da Deutsche Welle este mês, o médico e membro da Associação Alemã de Cuidados Críticos e Medicina de Emergência (DIVI) Uwe Janssens afirmou que a Alemanha corre o risco de escassez de leitos em unidades de terapia intensiva se o número de casos de coronavírus continuar aumentando.
A situação, segundo ele, é bastante crítica em alguns locais do país. “Temos áreas onde a capacidade da UTI deixou apenas de 5 a 10% dos leitos abertos. Isso não é suficiente para cobrir a ampla gama de pacientes gravemente doentes”, disse ele.
França
No início e em meados de novembro, o ressurgimento do vírus quase quebrou o sistema de saúde francês. Enquanto os hospitais do país registravam cerca de 3 mil novos pacientes de covid-19 por dia, número não visto desde abril, até 97% dos leitos de terapia intensiva estavam ocupados com quase 5 mil pacientes de covid-19. Desde então, esse número caiu para cerca de 2.800 pacientes, os quais ocupam menos de 60% desses leitos, de acordo com dados do governo francês.
A região de Auvergne-Rhône-Alpes, que abrange o centro e o sudeste da França, tem uma infraestrutura médica menos desenvolvida do que outras partes do país e foi mais atingida pela segunda onda. Ali, 86% dos leitos de terapia intensiva ainda estão ocupados por pacientes de covid-19.
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