Terça-feira, 19 de Janeiro de 2021

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Brasil O coronavírus não vai parar de evoluir quando a vacina chegar, alertam especialistas

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Variação do Sars-Cov-2 anunciada pelo governo britânico no domingo passado já foi confirmada em quase 10 países. (Foto: Reprodução)

Em um ensaio de 1988 sobre pandemias, Joshua Lederberg, ganhador do Prêmio Nobel e presidente da Universidade Rockefeller, lembrou a comunidade médica que, quando se trata de doenças infecciosas, as leis de Darwin são tão importantes quanto as vacinas de Pasteur.

Enquanto a medicina combate bactérias e vírus, esses organismos continuam a sofrer mutações e desenvolver novas características. Lederberg aconselhou vigilância: “Não temos garantia de que a competição evolutiva natural dos vírus com a espécie humana sempre terá os humanos como vencedores.”

Com o surgimento do que até agora parecem ser vacinas candidatas seguras e eficazes, parece que a humanidade pode ser a vencedora novamente desta vez, embora com uma terrível perda de vidas.

Mas as vacinas não acabarão com a evolução deste coronavírus, como David A. Kennedy e Andrew F. Read, especialistas em resistência viral a vacinas da Universidade Estadual da Pensilvânia, escreveram recentemente na “PLoS Biology”. Em vez disso, elas podem até conduzir a uma nova mudança evolutiva.

Sempre há a chance, embora pequena, escrevem os autores, de que o vírus possa desenvolver resistência a uma vacina, o que os pesquisadores chamam de “escape viral”. Eles pedem monitoramento dos efeitos da vacina e da resposta viral, apenas para garantir.

“Nada do que estamos dizendo sugere que desaceleremos o desenvolvimento de vacinas”, disse Kennedy. “Uma vacina eficaz é de extrema importância. Mas vamos nos certificar de que ela permaneça eficaz”.

As fabricantes de vacinas poderiam usar os resultados de swab nasais obtidos de voluntários durante os testes para procurar quaisquer alterações genéticas no vírus. Os resultados dos testes não devem necessariamente impedir ou desacelerar o lançamento da vacina, mas, se os receptores da vacina tiverem alterações no vírus que aqueles que receberam o placebo não tinham, isso indicaria “potencial de evolução da resistência”, algo que os pesquisadores devem seguir monitorando.

Evolução e imunidade

Existem alguns motivos para manter o otimismo de que o coronavírus não se tornará resistente às vacinas. Vários anos atrás, o Dr. Kennedy e o Dr. Read apresentaram uma análise da diferença entre a resistência a medicamentos e vacinas. Nem as bactérias nem os vírus desenvolvem resistência às vacinas tão facilmente quanto às drogas, escreveram eles. A vacina contra a varíola nunca perdeu sua eficácia, nem as vacinas contra o sarampo ou a poliomielite, apesar dos anos de uso.

Os antibióticos, por outro lado, podem rapidamente se tornar inúteis à medida que bactérias e outros patógenos, como vírus e fungos, desenvolvem defesas. E a resistência aumenta para outras drogas também.

As razões têm a ver com os princípios básicos de evolução e imunidade. As duas principais diferenças são que as vacinas geralmente agem mais cedo do que as drogas e que a resposta imune natural que elas promovem costuma ser mais variada, com mais linhas de ataque. Um medicamento pode ter um alvo restrito, às vezes atacando uma via metabólica ou processo bioquímico.

Com a maioria dos medicamentos, o vírus ou bactéria já está se reproduzindo no corpo do paciente e, se uma variante sobreviver melhor ao ataque do medicamento, ela continuará a crescer e talvez seja transmitida a outra pessoa. Uma combinação de drogas, como com o tratamento para HIV, pode ser mais eficaz porque desencadeia um ataque multifacetado.

As vacinas, por outro lado, agem precocemente, antes que o vírus comece a proliferar e talvez sofrer mutação dentro do corpo do paciente. Portanto, não há novas variantes para crescer e se espalhar a partir da pessoa infectada, como aquelas forjadas no calor de um ataque de drogas.

As vacinas oferecem ao sistema imunológico do corpo um vislumbre do vírus e, em seguida, o sistema imunológico desenvolve um amplo ataque. Por exemplo, após uma vacina antitetânica, o sistema imunológico de uma pessoa pode produzir 100 anticorpos diferentes.

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