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Brasil O delegado da Polícia Federal que Michel Temer deseja trocar já atuou em um inquérito que incluiu o presidente em suspeita de organização criminosa

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Cleyber Lopes investigou indícios contra políticos do MDB. (Foto: Reprodução)

O delegado Cleyber Malta Lopes, que preside o inquérito da PF (Polícia Federal) sobre um decreto assinado pelo presidente Michel Temer beneficiou a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos (SP), também participou da investigação que encontrou indícios de formação de organização criminosa envolvendo o chefe do Executivo e políticos do MDB.

O texto final sobre a investigação do que nos bastidores ficou conhecida como “quadrilhão do PMDB” apontou que, além de Temer, atuaram com indícios de organização criminosa os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves, além do ex-ministro Geddel Vieira Lima e dos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil), todos do partido.

Nessa investigação, Cleyber Lopes auxiliou o delegado Marlon Cajado. O relatório da PF imputa a Michel Temer e a aliados a suspeita de participação na organização criminosa. Delegados ouvidos pela imprensa avaliam, nos bastidores, que o “incômodo” de Temer com Cleyber começou a partir daí.

E aí, quando o delegado assumiu sozinho o inquérito da Rodrimar, essa insatisfação cresceu. Na avaliação desses mesmos investigadores, já se esperava na investigação da empresa uma apuração que poderia comprometer o presidente da República.

Desde que Fernando Segovia assumiu a Polícia Federal, em novembro do ano passado, Temer discute com auxiliares, ministros e o advogado Antonio Claudio Mariz uma estratégia para trocar o delegado Cleyber Malta Lopes.

Polêmica

Na sexta-feira, uma entrevista concedida à agência de notícias Reuters pelo diretor-geral da PF, Fernando Segovia, colocou o nome do delegado Cleyber Malta Lopes no centro de mais uma polêmica que agitou os meios políticos brasileiros, em pleno período de carnaval.

As declarações de Segovia deram a entender que, se houver um pedido da Presidência da República, a corporação poderá abrir uma investigação interna para apurar a conduta de seu colega Cleyber, por conta dos questionamentos apresentados ao Temer no chamado “inquérito dos portos”.

Ao responder a lista de 50 perguntas feitas por escrito pela PF na investigação, o chefe do Executivo se queixou a interlocutores sobre a suposta impertinência de determinadas perguntas, que teriam colocado em dúvida a sua “honorabilidade e dignidade”.

Segovia foi perguntado sobre as reclamações do Palácio do Planalto sobre a postura da PF na investigação, que estaria “pegando pesado” com o investigado, com perguntas “muito duras”. O diretor-geral ressaltou que não houve uma reclamação formal da Presidência e que cada autoridade policial tem a sua liberdade para fazer as perguntas aos investigados, “dentro do limite do “razoável”.

Questionado se é possível afirmar que houve excesso, Segovia declarou à Reuters que não havia feito essa análise e que prefere se abster de fazer qualquer tipo de julgamento porque, se o presidente questionar a conduta do delegado, isso passará por um processo interno administrativo que vai verificar se a conduta dele condiz com o trabalho que deve ser feito. “E ele pode ser repreendido, pode até ser suspenso dependendo da conduta que ele tomou em relação ao presidente”, completou.

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