Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de novembro de 2020
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em entrevista ao Jornal da Cultura, da TV Cultura, comentou sobre o “evento adverso grave” citado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para interromper os estudos da vacina CoronaVac.
De acordo com Covas, se tratar de “um óbito não relacionado à vacina”. Ele estranhou a decisão e afirmou que o episódio não seria um motivo para interrupção do estudo clínico.
“Como são mais de 10 mil voluntários nesse momento, o sujeito pode ter um acidente de trânsito e morrer”, disse.
Ainda na entrevista, Dimas Covas declarou que a Anvisa não solicitou esclarecimento sobre o fato.
Em nota à imprensa, o governo de São Paulo, através do Instituto Butantan, lamentou ter sido informado pela imprensa e não diretamente pela Anvisa sobre a decisão.
“Ganhei”
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou em sua conta oficial do Facebook algumas das razões que justificariam a suspensão dos testes da vacina CoronaVac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Nas redes sociais, ele compartilhou a decisão que interrompeu os testes do imunizante contra a covid-19 , criada pelo Instituto Butantan, do governo de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Em resposta a um internauta, Bolsonaro disse que “ganhou”.
“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, escreveu o presidente.
Bolsonaro justifica que a suspensão foi emitida devido a efeitos adversos, ainda que a Anvisa não tenha dito de maneira específica qual efeito havia sido constatado em um dos voluntários para decretar a interrupção dos testes.
Laudo do IML
Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) obtido pelo Jornal da Tarde, da TV Cultura, aponta que a causa da morte do voluntário da vacina CoronaVac – imunizante produzido pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan –, foi suicídio.
“O que os médicos não podem dizer em nome da ética médica mas nós, jornalistas, devemos dizer em nome do interesse público e do combate às informações falsas é o seguinte: o evento adverso, que como explicado na coletiva de imprensa [do Instituto Butantan], é uma forma da literatura médica se referir a acontecimentos não relacionados ao que está em testes, não tem necessariamente relação com a vacina, diz respeito a um voluntário que tirou a própria vida”, afirmou o âncora do jornal Aldo Quiroga.
Na coletiva de imprensa dessa terça-feira (10), o coordenador executivo do Comitê de Contingência do Coronavírus em São Paulo, João Gabbardo, disse ser injusta a penalidade imposta pela Anvisa, que decidiu suspender os testes clínicos com a vacina CoronaVac por, segundo o órgão regulador, a mesma apresentar efeito adverso grave em um voluntário.
O presidente Bolsonaro, que celebrou a suspensão dos testes, não se manifestou após a confirmação da causa da morte do voluntário.
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