Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de junho de 2018
A alta do dólar afeta a demanda por viagens ao exterior. A busca por pacotes para o segundo semestre deste ano perdeu tração e hotéis e companhias aéreas começam a oferecer descontos em dólar, além de agências alongarem os prazos de pagamento.
Desde de março o dólar comercial começou a subir — de R$ 3,25 até R$ 3,92, cotado em 7 e 8 de junho, uma variação de mais de 20%. Em algumas casas de câmbio, o dólar turismo chegou a superar R$ 4.
“Quando o dólar sobe muito e de forma rápida, os clientes se retraem, esperando um momento de baixa para fechar o pacote. Por isso, já percebemos o impacto do câmbio na procura por viagens especialmente por causa da volatilidade”, disse ao jornal Valor Econômico a presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Magda Nassar, que representa as operadoras que fazem 90% das viagens vendidas no país. Segundo ela, o turista que ainda não comprou a passagem mas que decidiu manter a viagem busca parcelar o pagamento, em até dez vezes, e explora promoções que a maior parte das grandes agências está oferecendo.
Na Assist Card, que vende seguros-viagem, o ritmo de aumento das vendas desacelera desde fevereiro. Depois de crescer 50% no primeiro bimestre deste ano ante igual período de 2017, a comercialização das apólices na empresa aumentou 30% em março, depois 15% em abril e maio. “Quem já comprou a passagem deve gastar menos no exterior, mas não cancelar a viagem. Se houvesse casos de desistência, a gente teria percebido aqui porque o seguro-viagem é comprado pouco antes do embarque. E as pessoas continuam comprando”, diz o diretor da Assist Card, Alexandre Camargo.
Companhias aéreas brasileiras e estrangeiras começaram 2018 com maior volume de voos e frequências ao exterior ante 2017. “Depois de aumentar a oferta de voos, as companhias aéreas precisam ocupar os voos”, disse o presidente da Agaxtur, Aldo Leone. Segundo ele, aéreas e hotéis já começaram a oferecer descontos, em dólar, para que agências de viagens possam manter os preços em reais. “Isso funciona nesses momentos de volatilidade para que o viajante possa gastar o mesmo valor em reais”, disse Leone.
Na CVC, o “câmbio congelado” e o parcelamento em dez vezes é uma das estratégias para manter as vendas ao exterior.
Se a volatilidade do dólar continuar, apontam executivos do setor, parte da demanda por viagens ao exterior deve migrar de forma mais forte a destinos domésticos. “Nosso plano para este ano era elevar de 15% para 20% a participação do internacional em nossas vendas. Mas até agora, o percentual caiu para 10%”, indicou Eloi Dechery, co-fundador da Zarpo, agência de viagens on-line. “O tradicional pico de embarques em julho foi afetado porque muitas vendas são feitas em abril e maio”, completou.
No Kayak, buscador controlado pela Priceline, maior operadora on-line de turismo do mundo, a demanda por destinos domésticos ganhou fôlego. “Em maio, a busca por destinos nacionais esteve 6% acima da média do primeiro trimestre. Para um período de um único mês isso é significativo”, disse o diretor Eduardo Fleury. Dos cinco destinos mais buscados pelos usuários do Kayak, quatro são domésticos — São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. Lisboa é o único destino estrangeiro da lista.
O diretor-executivo da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), Jahy Carvalho, disse que o setor de viagens de negócios também acusou o impacto do câmbio. A greve dos caminhoneiros provocou cancelamentos de voos. “Podemos ver um impacto maior nas vendas para o segundo semestre”.
As eleições gerais, em outubro, podem aumentar o clima de incerteza entre os agentes econômicos e prejudicar o turismo de negócios.
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