Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 1 de maio de 2020
A queda das economias europeias no primeiro trimestre deste ano, junto com a divulgação do mais recente relatório semanal de seguro-desemprego nos EUA, interrompeu o movimento de desvalorização do dólar. A moeda encerrou os negócios com alta de 1,52%, valendo R$ 5,439. Em abril, a alta acumulada foi de 4,67%, e no ano chega a 35,6%. Neste mês, o Banco Central (BC) usou 2,3 bilhões das reservas por meio de intervenções no câmbio.
Na Bolsa de São Paulo, o Ibovespa (índice de referência da B3) caiu 3,2%, aos 80.506 pontos, acompanhando Wall Street. O Dow Jones recuou 1,17%. S&P 500 e Nasdaq perderam, respectivamente, 0,92% e 0,28%, na esteira dos resultados ruins das principais economias. No caso do Ibovespa, no mês ele acumulou alta de 10,25%.
Os analistas avaliam que o resultado da Bolsa brasileira em abril demonstra uma recuperação parcial, mas que este resultado não pode ser visto como uma mudança de tendência no mercado de renda variável.
“O acumulado de abril aponta para uma recuperação, mas não é possível dizer que as fortes quedas ou movimentos de circuit breaker ficaram no passado. Estes comportamentos podem até ter menos espaço para acontecer daqui para a frente, mas não é possível descartá-los”, avalia Roberto Indech, estrategista-chefe da corretora Clear.
Indech destaca que a alta deste mês teve como contribuição o varejo on-line e empresas ligadas a alimentação.
“O resultado positivo teve como esses dois setores porque, nesta pandemia, os hábitos de consumo foram alterados e as compras de gêneros alimentícios se manteve em alta.”
PIBs despencam
Sob o efeito da pandemia de covid-19, a economia da Espanha teve contração de 5,2% no primeiro trimestre deste ano, a maior queda desde a Guerra Civil espanhola (1936-1939). Na França, o tombo foi de 5,8% em igual período, maior queda desde 1949, quando começaram os registros do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Ainda na agenda externa, o mercado seguiu atento à divulgação do relatório de pedidos de seguro-desemprego na economia americana. Na semana encerrada em 25 de abril, 3,8 milhões de trabalhadores americanos deram entrada no auxílio. Nas últimas seis semanas, o total chega a 30,3 milhões, o que representa cerca de 18,3% de toda a força de trabalho dos EUA.
“Após duas quedas fortes, é normal ter um movimento de alta. Mas esta valorização pode ser impulsionada por conta dos dados de PIB já divulgados, que pressionam os mercados. Os números são impactantes, mas ainda confusos, o mercado não consegue ter a certeza se esses números já são os piores ou se é possível ter quedas mais intensas”, avalia Fabrizio Valloni, chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora.
Os analistas também apontam que o fim do mês e o feriado desta sexta (Dia do Trabalhador) contribuem para que os investidores tentem embolsar parte dos lucros e desfazer aplicações mais arriscadas.
Em uma tentativa de socorrer a economia do continente, o Banco Central Europeu (BCE) lançou um novo pacote de empréstimo aos bancos a taxas muito baixas. Para reforçar o acesso do sistema bancário europeu a fundos e evitar a escassez de crédito, o BCE disse que emprestaria dinheiro a taxas iguais ou inferiores a 1% aos bancos.
As Bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta. O FTSE (Londres) caiu 3,5%. CAC (Paris) e Ibex (Madri) perdem, respectivamente, 2,12% e 1,89%.
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