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Brasil O ex-presidente da Petrobras foi indicado para assumir o comando da BRF, a dona da Sadia e da Perdigão

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Parente, na foto, já ocupa a presidência do conselho de administração da empresa por indicação de Abilio Diniz. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, foi indicado pelo Conselho de Administração da BRF para assumir a presidência da companhia, dona da Sadia e da Perdigão. O executivo já preside conselho desde o fim de abril.

O executivo não precisará cumprir uma “quarentena” de seis meses para assumir o cargo. Parente foi liberado pela Comissão de Ética da Presidência da República para tomar posse imediatamente, após ter enviado carta de renúncia da Petrobras a Michel Temer, em 1º de junho, por desgastes decorrentes da greve dos caminhoneiros.

Parente acumulará as posições de presidente e CEO Global por um período inicial de 180 dias, informou a BRF. Nesse intervalo, o Conselho vai propor a extensão do mandato por até um ano, dentre outras mudanças no regimento da companhia.

Em nota, a BRF informou que Parente cuidará diretamente da preparação de seu sucessor e liderará o processo de reorganização da companhia, “em especial o preenchimento de posições-chaves e questões ligadas à sua governança”.

O Conselho da BRF também aprovou a criação do cargo de diretor-presidente global de operações, que será ocupado por Lorival Nogueira Luz Jr.

Indicação

Parente foi indicado pelo empresário Abilio Diniz para substituí-lo na presidência do conselho da processadora de alimentos. A mudança na gestão da empresa aconteceu após desentendimentos entre Diniz e os principais acionistas – os fundos Previ e Petro e a gestora Tarpon, que apoiou a indicação do empresário – diante de uma série de turbulências operacionais e de prejuízos.

O negócio da BRF foi impactado pela Operação Carne Fraca, pelo embargo à importação de frango brasileiro pela União Europeia e, mais recentemente, por medidas antidumping impostas pela China e não dá lucro desde 2015.

O valor de mercado da companhia caiu quase pela metade desde o início do ano, passando de R$ 29,6 bilhões em 1º de janeiro para R$ 16,3 bilhões em 13 de de junho. No auge, em agosto de 2015, ela chegou a valer R$ 60 bilhões, segundo dados da provedora de soluções financeiras Economatica.

Trajetória

Parente esteve à frente da Petrobras por dois anos. Aos 63 anos, em 1º de junho de 2016, o carioca substituiu Aldemir Bendine – que havia renunciado ao cargo e que seria preso um ano depois, no âmbito da Operação Lava-Jato – e se deparou com uma das maiores crises pelas quais a companhia já enfrentou.

Engenheiro, ele atuou em diversos cargos públicos antes de assumir a petroleira. Foi funcionário da área contábil do Banco Central e atuou na Secretaria do Tesouro Nacional no governo Sarney; assumiu a secretaria de Planejamento do então Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento durante o governo Collor; e, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda e ministro da Casa Civil.

Sob sua batuta, a Petrobras voltou a cumprir metas de produção e a operar no azul, após 4 anos no vermelho. No 1º trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 6,961 bilhões, o melhor resultado dos últimos cinco anos. Já a dívida líquida da Petrobras encerrou o 1º trimestre em R$ 270,7 bilhões, após ter chegado a R$ 391 bilhões no final de 2015.

Parente iniciou um programa de desinvestimentos para levantar caixa para a empresa, baixou o número de funcionários da estatal e reduziu sua dívida. Também instituiu uma nova política de preços para combustíveis, que passaram a ser reajustados com maior frequência nas refinarias (inclusive diariamente), acompanhando a cotação do petróleo no mercado internacional.

Essa mudança trouxe credibilidade para a petroleira no mercado, que passou a enxergar a gestão como autônoma e sem interferência do governo, mas foi uma das principais queixas dos caminhoneiros durante a greve da categoria, que parou o país por 10 dias. Desde que a política foi implementada, os preços do diesel dispararam.

Pressionada pela paralisação, a Petrobras afirmou que não alteraria o critério de formação de preços, mas reduziu em 10% o valor do litro do diesel, incentivo que posteriormente passou a ser subsidiado pelo governo. O mercado não aprovou e, em apenas oito pregões, a empresa chegou a perder R$ 126 bilhões em valor de mercado.

Diante do desgaste, Parente deixou o comando da empresa, alegando que sua permanência no cargo “deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”.

 

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