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Brasil O ex-presidente Lula completa um ano na prisão neste domingo

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"Não troco a minha dignidade pela minha liberdade", disse Lula em uma carta após a Operação Lava-Jato recomendar a ele o regime semiaberto. (Foto: Agência Brasil)

O ex-presidente Lula completa neste domingo (07) um ano na prisão. Mais magro, ou “enxuto”, segundo a definição dos investigadores, o petista ocupa, desde 7 de abril de 2018, uma sala especial na sede da Polícia Federal em Curitiba, base e origem da Operação Lava-Jato. O Comitê Lula Livre programa manifestações em protesto contra o encarceramento “político” do ex-presidente.

Na capital paranaense a caravana de manifestantes será engrossada por milhares de apoiadores do petista. Estão marcados dois grandes atos nacionais “em defesa da democracia e pela liberdade de Lula”, um em Curitiba, outro em São Paulo. Um ano depois da prisão, a defesa aposta em um recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça. Lula tenta reverter sua condenação no processo do triplex. O ex-presidente também está condenado em outra ação, do sítio de Atibaia, a 12 anos e 11 meses de reclusão, sentença imposta pela juíza federal Gabriela Hardt.

Relembre o passo a passo do cerco da Lava-Jato a Lula:

Sexta-feira, 4 de março de 2016

A primeira ação ostensiva da Lava-Jato contra Lula foi deflagrada às 6h de 4 de março de 2016. Naquele dia, a Operação Aletheia, 24.ª fase da investigação, foi ao apartamento do petista em São Bernardo do Campo cumprir mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva ordenados pelo então juiz federal Sérgio Moro.

Lula foi levado a uma sala da PF no Aeroporto de Congonhas, onde começou a falar ao delegado Luciano Flores de Lima às 8h. O depoimento durou horas e foi marcado por forte tensão. Na ocasião, o petista comparou o triplex na praia das Astúrias às unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida tocado pela Caixa e se irritou ao responder a uma série de indagações sobre o apartamento do Guarujá. Lula insistiu que não era dono do imóvel.

Quarta-feira, 10 de maio de 2017

A mais esperada audiência da Lava-Jato, o primeiro interrogatório de Lula frente a frente com Sérgio Moro, durou mais de cinco horas. O petista respondeu perguntas sobre o triplex do Guarujá, atacou a imprensa e disse que era vítima de prejulgamento. “A verdade é a seguinte: não solicitei, não recebi, não paguei e não tenho nenhum triplex”, afirmou.

Quinta-feira, 12 de julho de 2017

Aos 71 anos de idade, Lula foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na ocasião, Moro não decretou a prisão do ex-presidente. O então juiz alegou “prudência” e a necessidade de se evitar “certos traumas”.

Quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Na maior derrota desde o início da Lava-Jato, Lula foi condenado pela 2ª instância da operação. Os três desembargadores da 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4.ª Região) aumentaram por unanimidade a sentença do ex-presidente para 12 anos e um mês de prisão em um julgamento que durou mais de 9 horas. O desembargador Leandro Paulsen, revisor da Lava-Jato na Corte, deixou expresso que a pena deveria ser executada após esgotados todos os recursos.

Quinta-feira, 22 de março de 2018

O Supremo Tribunal Federal concedeu um salvo-conduto a Lula, impedindo eventual ordem de prisão contra o ex-presidente. O documento só tinha validade para o processo do caso triplex e duração até 4 de abril quando a Corte analisaria um habeas corpus preventivo.

Segunda-feira, 26 de março de 2018

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, por 3 votos a 0, rejeitou o embargo de declaração do ex-presidente contra o acórdão que o condenou a 12 anos e um mês no caso triplex. Com a decisão unânime da Corte de apelação da Operação Lava-Jato, o petista poderia ser preso. Lula, no entanto, tinha sua liberdade garantida pelo menos até 4 de abril quando o Supremo Tribunal Federal vai analisar um habeas corpus preventivo.

Quinta-feira, 5 de abril de 2018

Em uma sessão tensa e que durou quase 11 horas, o Supremo Tribunal Federal negou por 6 votos a 5, o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Lula e abriu caminho para a prisão do petista. Coube à presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, o voto de desempate, negando o pedido do ex-presidente. Votaram contra a concessão do habeas corpus, além de Cármen, os ministros Edson Fachin, relator do caso, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux.

Sábado, 7 de abril de 2018, Lula a caminho da prisão

Moro mandou prender Lula na quinta, 5 de abril de 2018. O magistrado deu 24 horas para o ex-presidente se entregar espontaneamente. Após negociações marcadas pela tensão e nervosismo, às 18h42min, Lula deixou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo do Campo, onde se havia entrincheirado, para entregar-se à Polícia Federal e seguir rumo à prisão da Lava-Jato, cerca de seis horas depois de promover comício ao lado de Dilma e Gleisi.

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