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Colunistas O fascínio da mudança: uma vida dedicada à inovação

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Inovação, para mim, nunca foi apenas uma palavra bonita usada em discursos corporativos ou em campanhas publicitárias. Sempre a entendi como a capacidade de transformar o presente em algo que aponta para o futuro, mesmo quando esse futuro ainda é incerto. Essa percepção nasceu cedo, em 1983, quando entrei no Banco do Brasil como menor aprendiz. Naquele tempo, tudo era analógico, burocrático e pouco evoluído. O ambiente de trabalho era marcado por carimbos, fichários e processos lentos. A tecnologia era quase inexistente e a rotina parecia imutável. Mas eu já enxergava que nada permanece igual por muito tempo.

Ao me tornar funcionário escriturário, após concurso, pude testemunhar uma mudança estrutural profunda. O Banco do Brasil, que por décadas havia sido o tesoureiro do governo, perdeu funções estratégicas como a gestão de caixa, que passaram ao recém-fortalecido Banco Central. Essa transição obrigou a instituição a se reinventar. E eu, jovem curioso, ambicioso e ansioso, estava lá, observando e participando dessa metamorfose. Foi nesse momento que percebi que inovação não é luxo, mas necessidade. É o ato de sobreviver em meio a transformações que não pedem licença.

Mais tarde, ao migrar para a área industrial, mergulhei em projetos de inovação que, em muitos casos, foram pioneiros. Ali, a novidade deixou de ser apenas algo que eu presenciava e passou a ser algo que eu ajudava a construir. Descobri que, mesmo em funções administrativas e financeiras, o que realmente me atraía era o desafio da mudança. O novo sempre me seduziu mais do que a estabilidade. Passei a acreditar firmemente na máxima de que a única certeza que temos é a mudança, e que precisamos aprender a conviver com ela, não como ameaça, mas como oportunidade.

Hoje, a tecnologia acelera transformações em uma velocidade que já não conseguimos acompanhar. O ritmo é outro, quase vertiginoso. Mas, apesar de toda essa revolução digital, o que sempre me chamou mais atenção foi o lado humano das mudanças. Porque toda inovação, por mais brilhante que seja, mexe em estruturas de poder, desloca pessoas, altera interesses. Inovar não é apenas instalar sistemas ou criar processos mais ágeis; é lidar com o impacto humano que essas mudanças provocam. É entender que, por trás de cada avanço, há histórias de adaptação, resistência e, muitas vezes, dor.

Ser inovador, portanto, não é apenas abraçar a tecnologia ou se encantar com a velocidade das transformações. É compreender que inovação é também sobre pessoas. É sobre como elas se reorganizam, como lidam com perdas e ganhos, como se reinventam diante de cenários que não escolheram. Essa dimensão humana é o que torna a inovação tão complexa e, ao mesmo tempo, tão fascinante. Porque não há algoritmo que resolva o desconforto de quem perde espaço, nem máquina que substitua a necessidade de diálogo e empatia.

Minha trajetória me ensinou que viver a novidade é, antes de tudo, aceitar o desconforto da mudança. É reconhecer que cada avanço traz consigo uma ruptura, e que essa ruptura precisa ser administrada com sensibilidade. A inovação que realmente transforma não é a que apenas acelera processos, mas a que consegue incluir pessoas nesse movimento. É a que entende que o futuro não se constrói apenas com tecnologia, mas com humanidade.

Se hoje olho para trás, vejo que minha vida foi marcada por esse fascínio pela mudança. Do Banco do Brasil analógico dos anos 80 aos projetos industriais pioneiros, sempre estive atraído pelo novo. E continuo acreditando que ser inovador é, acima de tudo, ser humano. Porque inovar é conviver com a incerteza, é aceitar o deslocamento, é aprender a se reinventar. É, em última instância, compreender que a mudança não é inimiga, mas a única certeza que temos. E é justamente nesse paradoxo que reside a beleza da inovação.

Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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