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Colunistas O fio invisível que segura uma nação

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Os países nórdicos são frequentemente citados como exemplos de alta coesão social. (Foto: GAI Media)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Coesão social é um daqueles conceitos que parecem abstratos, mas que na prática definem a qualidade da vida coletiva. Trata-se da capacidade de uma sociedade de se manter unida em torno de valores, normas e objetivos comuns, mesmo diante das diferenças culturais, econômicas ou políticas. É a cola invisível que sustenta a convivência e garante que o tecido social não se rompa. Quando há confiança mútua, solidariedade e senso de pertencimento, a coesão social floresce. Quando predominam desconfiança, polarização e desigualdade, ela se fragiliza.

Os países nórdicos são frequentemente citados como exemplos de alta coesão social. Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia conseguiram construir sociedades em que há confiança elevada nas instituições, baixa desigualdade e forte participação comunitária. O cidadão médio sente que faz parte de um projeto coletivo e que o Estado funciona como garantidor de direitos básicos.

Essa confiança não é fruto do acaso, mas de décadas de políticas públicas voltadas para educação de qualidade, sistemas de saúde universais e mecanismos de redistribuição que reduzem disparidades. O resultado é uma sociedade mais estável, resiliente e capaz de enfrentar crises sem se fragmentar.

No extremo oposto, temos contextos de baixa coesão social, marcados pela polarização política e pela desigualdade acentuada. Quando grupos não se reconhecem como parte de uma mesma comunidade, quando a confiança nas instituições desmorona e quando o diálogo é substituído pelo confronto, a coesão se desfaz. A consequência é um ambiente de instabilidade, em que o conflito se torna rotina e o desenvolvimento econômico e social é comprometido.

O Brasil, infelizmente, se posiciona mais próximo desse segundo cenário. A polarização política dos últimos anos expôs fissuras profundas na sociedade. A confiança nas instituições é baixa, a desigualdade social permanece elevada e o senso de pertencimento coletivo é frágil. Muitos brasileiros não se sentem representados pelo Estado, e a percepção de injustiça mina a solidariedade. A violência urbana, a precariedade dos serviços públicos e a corrupção reforçam a sensação de que o pacto social está em constante erosão.

As razões para esse posicionamento são múltiplas. A herança histórica de desigualdade, marcada por séculos de escravidão e concentração de renda, criou uma base social fraturada. O sistema político, frequentemente associado a escândalos e ineficiência, alimenta a desconfiança. A falta de políticas consistentes de redistribuição e a dificuldade em garantir serviços públicos universais reforçam a percepção de exclusão. Além disso, o ambiente digital amplificou a polarização, transformando divergências em trincheiras e dificultando a construção de consensos mínimos.

No entanto, é importante reconhecer que a coesão social não é um destino fixo, mas um processo em constante construção. O Brasil tem potencial para fortalecer seus laços coletivos. A diversidade cultural pode ser uma riqueza se houver políticas que promovam inclusão e respeito. A juventude engajada em causas sociais e ambientais mostra que há disposição para reinventar o pacto coletivo. O fortalecimento da educação, da saúde pública e da transparência institucional são caminhos possíveis para reconstruir a confiança.

Em última análise, a coesão social é o que permite que uma sociedade atravesse crises sem se despedaçar. Os países nórdicos demonstram que é possível construir um ambiente de confiança e solidariedade, enquanto a polarização mostra os riscos de perder esse fio invisível. O Brasil, diante de suas fragilidades, precisa decidir se continuará alimentando divisões ou se buscará costurar novamente o tecido social. O futuro dependerá da capacidade de transformar diversidade em unidade e de substituir desconfiança por confiança. Afinal, sem coesão social, nenhuma nação consegue se sustentar por muito tempo.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (contato: rena.zimm@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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