Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2018
O general reformado Augusto Heleno afirmou que não será vice de Jair Bolsonaro (PSL), pré-candidato à Presidência da República.
O general disse ter conversado com dirigentes de seu partido, o PRP, e ouviu que não é de interesse da sigla ocupar a vice do PSL. O nome de Heleno foi mencionado na véspera por Bolsonaro.
“Entendi o argumento (do partido) porque depende de deputados federais. O vice não acrescenta tempo de TV. Essa candidatura não é atraente para os diretórios estaduais do partido”, explicou.
O general disse que seu apoio à candidatura de Bolsonaro continuará. “Não me afetou em nada. Continuo trabalhando”, afirmou, explicando que contribuirá com programa de governo.
Diante da negativa do PRP, o deputado terá de buscar novo nome para vice. Ele está a menos de uma semana da convenção que o formalizará candidato ao Palácio do Planalto pelo PSL, marcada para domingo (22), no Rio de Janeiro.
Na noite de terça-feira (17), o presidente do partido, Gustavo Bebbiano, disse que além de Heleno, são cotados para vice o presidente licenciado do PSL, Luciano Bivar, e a advogada Janaina Paschoal, uma das autoras do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Bivar disse que as conversas continuam e que a indicação do vice é uma escolha pessoal de Bolsonaro. Procurada, Janaina não respondeu.
Haiti
Mesmo na reserva, Heleno é considerado uma das maiores lideranças da história recente do Exército. Seu nome, que já era destaque dentro dos quartéis, saiu da caserna e chegou ao público em geral em 2004, quando ele assumiu o cargo de Comandante das Forças de Paz da ONU no Haiti.
Heleno lutou contra ex-militares rebeldes e gangues de criminosos no Haiti por cerca de um ano e meio. Na ocasião, segundo vazamentos do WikiLeaks, se opôs à pressão diplomática americana que queria exercer influência sobre a condução da missão de paz e a maneira como as operações militares eram realizadas.
De volta ao Brasil, fez parte do Alto Comando do Exército e, em 2008, ocupou o posto de Comandante Militar da Amazônia – quando entrou em choque direto com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a demarcação em área contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Heleno disse, na ocasião, acreditar que o projeto, da forma como era tocado, poderia colocar uma parte das fronteiras do Brasil em risco.
No início dos anos 2010, setores da ativa e da reserva das Forças Armadas cogitaram lançar Heleno como candidato a presidente, mas o projeto não avançou. Heleno sempre recusou a possibilidade de protagonizar uma candidatura.
Cláusula de desempenho
Nesta eleição, entrará em vigência a chamada cláusula de desempenho, que condicionará o repasse de recursos do fundo partidário e a distribuição do tempo de propaganda no rádio e televisão ao desempenho dos partidos em outubro.
Só terá direito ao fundo partidário e ao tempo de propaganda a partir de 2019 o partido que tiver recebido ao menos 1,5% dos votos válidos nas eleições de 2018 para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove Estados, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas. As regras vão se tornando mais rígidas, com exigências gradativas até 2030.
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