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Política O general que comanda o Ministério da Saúde fala sobre o “apagão” nos dados da pandemia

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Em menos de seis meses, o Brasil atingiu a marca de 100 mil mortos por coronavírus. (Foto: Júlio Nascimento/PR)

Após o “apagão” dos boletins epidemiológicos sobre o coronavírus lançados pelo Ministério da Saúde, o ministro interino da pasta, general Eduardo Pazuello, será ouvido, nesta terça (9), pela comissão da Câmara dos Deputados que acompanha as ações do governo contra a pandemia. A reunião será realizada por videoconferência.

Ele foi convidado para falar com os integrantes da comissão externa de ações contra o coronavírus. Fontes disseram à coluna Radar, da revista Veja, que a ida de Pazuello representa uma sinalização de que o governo quer normalizar a divulgação destes balanços, inclusive com o estabelecimento de um novo horário, 18h40min.

Nos últimos dias, os relatórios foram sucessivamente divulgados com atrasos e com informações incorretas – como ocorreu no domingo (7), quando o governo divulgou dados conflitantes de casos e mortes pela doença.

O presidente Jair Bolsonaro disse, no sábado (6), que as mudanças e os atrasos têm por objetivo evitar “subnotificação e inconsistências”. No entanto, um dia antes, ao ser questionado sobre a alteração, o presidente respondeu: “acabou matéria no Jornal Nacional”.

Discussão

Menos de uma semana após a saída de Luiz Henrique Mandetta do governo Bolsonaro, o presidente da República foi ao hotel de trânsito de oficiais, em Brasília, para uma visita. Lá, no dia 21 de abril, reuniu-se com o general Eduardo Pazuello, que seria oficializado como numero 2 do Ministério da Saúde.

A escolha de Pazuello foi comunicada ao então ministro Nelson Teich. Foi uma decisão pessoal do presidente Jair Bolsonaro, avalizada pelos militares que ocupam cargos políticos no governo.

Bolsonaro estava animado com Pazuello. Na visita ao hotel de trânsito, Bolsonaro ouviu uma explanação de dados sobre a Covid-19. O blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, publicou no dia 21 de abril que “assessores do presidente afirmaram que Pazuello estava levantado dados do coronavírus que divergiam dos apresentados pela equipe do ex-ministro Mandetta”.

Mandetta saiu dia 16 de abril do governo. O relato ao blog foi publicado no dia 21 de abril, dia do encontro entre Bolsonaro e Pazuello. Os presentes naquele encontro, incluindo o presidente, ouviram o que não ouviam de Mandetta, dos técnicos da Saúde, tampouco dos estados as secretarias de Saúde — e reclamavam, pois achavam que a pasta estava divulgando números muito ruins. Mandetta sempre repetiu que eram números reais, e a população tinha direito de saber a realidade, com transparência. Nos bastidores, técnicos da Saúde de diferentes estados repetiam temer, com a nova gestão, uma estratégia de ocultação de números, como aconteceu na ditadura, durante o surto de meningite.

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