Terça-feira, 18 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 30 de abril de 2019
Na tarde dessa segunda-feira, o governador Eduardo Leite recebeu no auditório do Centro Administrativo representantes da diretoria do Cpers-Sindicato, a fim de ouvir reivindicações dos professores. De acordo com a presidente da entidade, Helenir Schürer, as pautas prioritárias são a reposição salarial das perdas inflacionárias e a abertura de concursos públicos.
Ela também entregou um documento solicitando que o valor do vale-refeição do magistério não seja estornado da folha de pagamento – pleito que será analisado pelo Executivo. Conforme o Palácio Piratini, o governador se mostrou sensibilizado e considerou as demandas legítimas mas ainda não se pode falar em aumento salarial, devido à situação crítica das finanças do Estado. A categoria pede 28,8% de reajuste.
“Isso não significa menor disposição ao debate”, frisou Leite, durante uma rodada de conversa que durou cerca de duas horas. “O foco do governo está em conseguir equilíbrio para voltar a pagar os salários dos servidores em dia. Acreditamos fortemente que isso será feito até o final do ano. Esse é o nosso principal compromisso para este ano.” Uma nova reunião com foi marcada para o dia 13 de maio, desta vez sem a presença do governador.
Helenir considerou a audiência positiva: “Colocamos a nossa pauta e o governo falou de suas dificuldades, mas em nenhum momento disse que não há alternativa. Abrimos a possibilidade de avançar e saímos com uma próxima reunião marcada. Em uma negociação, é fundamental não fechar a porta. Temos que lembrar que saímos de um governo que passou quatro anos sem diálogo”.
De acordo com o comando dos professores estaduais, o Rio Grande do Sul é a quarta maior economia do País mas paga o segundo pior salário de ingresso na carreira entre todas as unidades da federação, perdendo apenas para o Pará, que tem o 12º PIB (Produto Interno Bruto) do País.
No site da entidade, consta ainda a informação de que os educadores da rede estadual estão há 41 meses com os salários parcelados e/ou atrasados, além da falta de reposição de perdas inflacionárias desde novembro de 2014. “Além disso, as promoções e progressões de carreira estão congeladas por quase cinco anos, levando a um dramático achatamento salarial”, ressalta. “Estamos no limite da miserabilidade, há um alto índice de suicídios, o desgaste psicológico é insuportável. Nós não temos condições de continuar trabalhando com esse arrocho.”
Durante o evento dessa segunda-feira, a presidente também entregou o seu contracheque (com um salário líquido de R$ 1.276,63) e um questionamento: “Eu tenho 30 anos de magistério, governador, e lhe pergunto: 28,78% é muito em cima disso? Não queremos trabalhar com outra coisa. Queremos trabalhar com tranquilidade, pois amamos o que fazemos. Se fosse por dinheiro, fazer faxina seria melhor”.
Encontro anterior
Essa foi a segunda reunião de Eduardo Leite com a cúpula do Cpers-Sindicato. No dia 6 de fevereiro (segundo mês de gestão do atual governador gaúcho), foi ele quem esteve na sede da entidade, em Porto Alegre, para uma conversa pautada por temas como piso e reposição salarial, qualidade da educação, valorização profissional, plano de carreira e previdência.
“Não vim trazer soluções prontas, mas inaugurar o diálogo. Esperamos ter mais convergências do que enfrentamentos”, declarou Leite na ocasião. “Não quero ser conhecido apenas como um governador que dialoga, mas sim que dialoga e age”.
(Marcello Campos)
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