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Geral O governo argentino dá aumento a policiais após amotinamento, mas abre disputa política com a oposição

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O embate político ocorre em momentos em que a pandemia causa estrago. (Foto: Esteban Colazo/Presidência da Argentina)

Um dia depois de o presidente argentino, Alberto Fernández, ter anunciado que seu governo retirará, por decreto, 30 bilhões de pesos anuais (U$S 400 milhões) da transferência de recursos à cidade de Buenos Aires para ampliar o orçamento de segurança da província de Buenos Aires, o governador Axel Kicillof confirmou o aumento salarial para agentes da polícia estadual, que realizavam protestos por reajuste desde o começo da semana passada. Na quarta-feira, os policiais decidiram aumentar a tensão e cercar a residência presidencial de Olivos.

O salário básico da maior força de segurança da Argentina (90 mil agentes, superando os 78 mil membros das Forças Armadas), passou de 37 mil pesos (US$ 493) para 44 mil pesos (US$ 586). A solução encontrada pelo chefe de Estado pode ter acalmado os ânimos no âmbito policial, mas abriu uma frente de conflito com o chefe de governo portenho, o opositor Horacio Rodríguez Larreta, que confirmou sua decisão de apresentar uma denúncia à Corte Suprema de Justiça.

Se esta é uma reclamação salarial e sobre condições de trabalho, estamos dando uma resposta contundente. Se não, entenderemos que se trata de uma questão política”, declarou Kicillof, um dos principais aliados da vice-presidente e ex-chefe de Estado Cristina Kirchner (2007-2015).

De fato, a rebelião policial apaziguada pela decisão dos governos nacional e provincial de atender à demanda de reajuste salarial tem, segundo analistas, um pano de fundo político. Existe claramente uma necessidade econômica, mas também, alertou Andrei Serbin Point, analista da Coordenadora Regional de Pesquisas Econômicas e Sociais (Cries), “uma intenção política por trás das manifestações”.

Muitos prefeitos da província de Buenos Aires, insatisfeitos com a gestão de Kicillof e do ministro de segurança estadual, Sergio Berni, ajudaram a impulsionar o protesto. O aumento conseguiu desarticular o movimento, mas ainda não está claro se ele foi totalmente desativado”, disse Serbin Point.

A revolta dos policiais evidenciou, ainda, a influência de Cristina no governo de Fernández. A decisão de prejudicar o governo da capital para favorecer o da mais importante província do país mostra até onde chega o poder da vice-presidente. Na opinião do analista Carlos Fara, “esta foi a oportunidade perfeita para Cristina boicotar a boa relação que o presidente vinha tendo com Rodríguez Larreta, uma relação que a vice-presidente nunca viu com bons olhos”.

Tudo isso mostra um Fernández mais radical e mais subordinado a Cristina, o que implica a perda de apoiadores de centro”, afirmou Fara.

Essa perda pode acentuar a tendência de queda do presidente nas pesquisas, algo que Fara e outros analistas começaram a notar a partir do final de maio, quando foi anunciada a expropriação da empresa de alimentos Vincentin, que havia falido. A iniciativa, mais uma vez, foi apresentada por congressistas aliados a Cristina.

Fernández está decepcionando os que acreditaram em seu perfil moderado de campanha”, opinou Fara.

A Argentina parece caminhar para um fim de ano de intensos conflitos sociais e elevada tensão política. Isso, somado à crise sanitária provocada pela pandemia e à recessão econômica, cria um ambiente de instabilidade que, afirmou o analista, levará a uma maior radicalização do governo.

Fernández, que em dezembro completará um ano de governo, nunca conseguiu construir uma agenda própria e agora, com várias crises simultâneas, está cada vez mais refém da agenda de Cristina. Esta radicalização poderia prejudicar a aliança entre peronistas e kirchneristas nas eleições legislativas de 2021.

Para a oposição, que mantém uma base de apoio em torno de 40%, é mais fácil enfrentar um governo claramente controlado por Cristina do que um presidente moderado, como tentou se mostrar Fernández nos primeiros meses. “Cristina nunca quis um Fernández forte e autônomo”, concluiu Fara. As informações são do jornal O Globo.

 

 

 

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