Domingo, 07 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 7 de junho de 2026
O governo de Lula (PT) espera reverter o veto da União Europeia à carne brasileira por meio de negociação, mas não descarta reagir com medidas de reciprocidade se o Brasil “não for tratado como parceiro”, diz o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua.
“Tudo no comércio internacional é uma via de mão dupla. A gente espera ser bem tratado pelos europeus para também continuar tratando os europeus bem”, afirma Rua.
As declarações foram dadas dias antes de a UE (União Europeia) oficializar o veto à carne brasileira por descumprimento de regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. A decisão foi publicada pelo bloco na sexta-feira (5).
Ao comentar o potencial impacto no comércio da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o secretário se limitou a dizer que o Ministério da Agricultura trabalha para manter a relação estratégica com os americanos.
“Estamos preocupados em fazer com que os fluxos comerciais continuem funcionando entre as nossas partes; que os nossos certificados sanitários e fitossanitários, e todas as questões de regulamentação aconteçam como sempre aconteceram com os Estados Unidos”, afirma.
A gravação da entrevista foi realizada na segunda-feira (1º), um dia antes de o governo de Donald Trump anunciar a conclusão da investigação da seção 301, propondo um novo tarifaço de 25% sobre o Brasil.
Confira trechos da entrevista:
Como a decisão dos Estados Unidos sobre facções pode afetar o comércio brasileiro? Vê risco ao fluxo de investimento estrangeiro no país?
Esse tema, especificamente, eu deixo para aqueles que estão lidando com isso. Temos mais de 200 anos de relação diplomática com os Estados Unidos, que são um dos três principais parceiros do nosso agronegócio. No Ministério da Agricultura, vamos trabalhar bastante para continuar tendo um fluxo comercial estratégico com esse parceiro.
Representantes do agronegócio procuraram o ministério manifestando preocupação?
Estamos preocupados em fazer com que os fluxos comerciais continuem funcionando entre as nossas partes; que os nossos certificados sanitários e fitossanitários, e todas as questões de regulamentação aconteçam como sempre aconteceram com os Estados Unidos.
Existe preocupação com relação às conclusões da investigação comercial do USTR [Escritório do Representante de Comércio dos EUA]?
A gente trabalha para mostrar que o Brasil é um fornecedor confiável, estável, seguro. Ao longo desse último ano, mesmo quando houve o tarifaço de 50%, viu-se em seguida que o Brasil era um fornecedor importante de café, suco de laranja e carnes, que foram posteriormente desgravados [isentos de tarifas].
Os Estados Unidos deixaram de ser um parceiro confiável?
Não, pelo contrário. Os Estados Unidos continuam sendo o terceiro principal destino das nossas exportações do agronegócio.
Desde o acordo UE-Mercosul, os europeus colocaram barreiras não tarifárias sobre o Brasil. É o caso do veto à carne por uso considerado inadequado de antibióticos. Há apreensão com esse cenário?
Estamos muito confiantes de que o Brasil possui um sistema sanitário robusto. Agora a fase é de elucidar tecnicamente os pontos [sobre os quais] a União Europeia teve algum tipo de desconfiança.
Tivemos uma reunião técnica com a DG SANTE [Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar], que é a autoridade sanitária da União Europeia. Faremos o encaminhamento de mais alguns esclarecimentos que foram solicitados durante a reunião. A gente espera ser tratado como um bom parceiro.
Foi injusta essa decisão?
Foi uma decisão da União Europeia [a qual] o Brasil responderá com as garantias. Esperamos que, no próximo ciclo de avaliação, o Brasil retorne para a lista.
Que tipo de esclarecimentos foram solicitados e quais medidas o governo pretende adotar para reverter o veto da UE?
As nossas áreas técnicas estão trabalhando para dar essas garantias para os europeus, para depois ser votado no âmbito da Comissão Europeia e nos comitês específicos. Tenho bastante otimismo de que haverá compreensão pelo lado europeu de que o Brasil é esse provedor seguro, estável e confiável. Com informações da Folha de S. Paulo.
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!