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Brasil O governo federal estuda medidas para “facilitar” o crédito, disse o ministro do Planejamento

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A declaração do ministro do Planejamento foi dada após reunião com bancos públicos. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, disse nesta segunda-feira (27) que o governo federal estuda, junto aos bancos públicos, formas para facilitar o acesso ao crédito e “reduzir a burocracia”. A declaração foi dada após reunião da equipe econômica com os presidentes da Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

“Foi uma reunião com os bancos para ver o que os ministérios do Planejamento e o da Fazenda podem fazer junto aos bancos para facilitar o crédito, reduzir burocracia. Estamos discutindo coisas que podem trazer mais segurança jurídica para as operações”, disse o ministro, em rápida entrevista.

Colnago não entrou em detalhes sobre quais medidas são estudadas e nem deu prazo para a divulgação das propostas.

“Não tem nada ainda decidido. É um conjunto de medidas microeconômicas em discussão com os bancos”, acrescentou.

Além de Colnago, participaram da reunião a secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi; os presidentes do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli; da Caixa Econômica Federal, Nelson de Souza; do BNDES, Dyogo Oliveira; e do Banco do Nordeste, Romildo Rolim. O ministro também afirmou que o governo estuda aumentar o compartilhamento das compras pelos bancos para reduzir custos operacionais.

Uma das principais medidas defendidas pelo governo para baratear o crédito para pessoas físicas e jurídicas no país é a adoção do cadastro positivo, um banco de dados dos consumidores que são bons pagadores. O projeto de lei, no entanto, está parado na Câmara do Deputado, sem data para ter a votação concluída.

Segundo o Banco Central, a taxa de juros médios das instituições com recursos livres (sem contar BNDES, crédito rural e imobiliário) foi de 38,5% ao ano em junho — últimos dados disponíveis. Nas operações com pessoas físicas, essa taxa era de 53,2% ao ano em junho.

Análise de crédito

Com o objetivo de tornar mais ágil a concessão de crédito, o BNDES vai mudar a análise de empréstimos: ela deixará de ser baseada em projetos e vai focar em clientes. Médias e grandes empresas que recorrem ao banco diretamente passarão por uma “habilitação” inicial, com um valor máximo de crédito pré-aprovado, que valerá para um ou mais pedidos.

As mudanças começam a ser adotadas neste mês, para que, em outubro, passem a valer para todas as áreas. A nova estrutura organizacional integra o projeto de transformação estratégica do BNDES. “A ideia é que o banco venha a ter um processo de habilitação. A gente está falando de clientes, não de projetos específicos”, afirmou o superintendente de Planejamento do BNDES, Maurício Neves.

Atualmente, para pedir empréstimo ao BNDES, a empresa precisa apresentar um projeto. Se for aprovado numa triagem inicial, o pedido é “enquadrado”, ou seja, aceito para análise do setor respectivo à empresa. Se uma mesma empresa faz mais de um pedido ao banco, passa pela triagem a cada projeto apresentado.

Na nova lógica, a triagem inicial habilitará a empresa a tomar até um valor máximo. Até esse limite, a companhia poderá pegar um ou mais empréstimos, em diferentes linhas – pode ser um crédito automático para comprar maquinário, num primeiro momento, e um financiamento corporativo para expandir a fábrica, em outro momento, explicou Neves.

Com isso, será extinto o Departamento de Prioridade, hoje responsável por fazer a triagem inicial e levar as informações para decisão do CEC (Comitê de Enquadramento de Crédito), formado por executivos de várias áreas do banco. O enquadramento e a aprovação do CEC continuarão existindo, mas mudará o trabalho de reunir as informações.

Para novos clientes, a análise ficará a cargo da recém-criada AFO (Área de Fomento e Originação de Crédito). Para clientes antigos, o enquadramento será preparado pelas próprias áreas operacionais, equipes que já fazem a análise completa e acompanham as empresas no dia a dia.

 

 

 

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