Sábado, 28 de Março de 2020

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Notícias O Hospital de Clínicas de Porto Alegre garante que está preparado para receber eventuais pacientes infectados pelo coronavírus

Prefeito, governador e outras autoridades visitaram a instituição nessa sexta-feira. (Foto: Cesar Lopes/PMPA)

O HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre) está preparado para receber eventuais pacientes com suspeita ou mesmo a confirmação de infecção por conavírus. A garantia é da diretora-presidente da instituição, Nadine Clausell. “Estamos trabalhando conjuntamente com a Secretaria Municipal de Saúde em protocolos de contingenciamento”, declarou durante evento nessa sexta-feira.

Segundo ela, o HCPA se prontificou a ajudar desde que houve a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil (nesta semana, envolvendo um homem de 61 anos em São Paulo). “A curva de ascendência do coronavírus, onde se registram casos severos que demandam tratamento intensivo, poderá acontecer por volta de maio a junho, quando começa a esfriar na Região Sul”, projetou.

“Temos cerca de dois meses para montar nossa resposta, e teremos que vencer algumas barreiras para que tudo funcione”, frisou. “O clima vai jogar contra nós, então temos que correr contra o tempo”. Até agora, o Estado tem 21 casos suspeitos.

Visita

Na manhã dessa sexta-feira, o prefeito Nelson Marchezan Júnior e o governador gaúcho Eduardo Leite participaram de uma visita técnica aos novos blocos B e C do Hospital, que oferecerão uma estrutura capaz de proporcionar atendimento especializado no tratamento emergencial de pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus.

Ao lado do secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Erno Harzheim, eles foram recebidos pela diretora-presidente Nadine Clausell e pelo reitor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Rui Vicente Opermann, para conhecer as instalações da nova ala do HCPA, que iniciará as suas atividades em maio.

“O novo prédio duplica a capacidade do nosso bloco cirúrgico, passando de 19 para 40 salas, onde são realizados transplantes, cirurgias robóticas e oncológicas de grande porte, por exemplo. Já a nossa área de terapia intensiva passa de 49 para 105 leitos para adultos. Por esse motivo, estamos sendo demandados pelo Ministério da Saúde a atuar de maneira incisiva frente à crise do coronavírus.

Conforme Opermann, a UFRGS e o Clínicas têm um “DNA em comum”, fator que fortalece e qualifica a unidade do serviço. “Essa é talvez a grande força que nos une e faz com que, tanto o hospital quanto a universidade, tenham capacidade de responder às necessidades da população, como no caso do coronavírus. Essa interação faz com que estejamos totalmente mobilizados para prestar o melhor serviço dentro dessa situação. Temos uma rede de atenção que dá segurança à comunidade”, afirma.

Eduardo Leite, por sua vez, ressaltou a relevância do Clínicas para o Rio Grande do Sul. “Certamente, o hospital faz parte da estratégia de revisão da forma de atendimento na alta complexidade, especialmente com essa ampliação que acontece agora e com toda a estrutura que oferecerá para casos de coronavírus. Inverno é sempre um desafio, por conta de doenças respiratórias, e quando o vírus chegar aqui, estaremos totalmente preparados para uma resposta rápida e eficiente”, declara.

O grupo destacou a integração entre as administrações municipal, estadual e federal na área da saúde. “Estamos muito felizes com parcerias que nos permitiram avançar em atenção terciária e primária”, declarou Marchezan. “Isso nos possibilitou apresentar resultados que nos orgulham muito. A expansão que a gente fez na atenção básica de Porto Alegre vai ser extremamente útil para enfrentar, nos próximos meses de inverno, esse cenário do novo coronavírus.”

Harzheim, por sua fez, chamou a atenção para a busca pela desburocratização do setor: “Precisamos de um novo formato do sistema de saúde, com uma atenção primária muito forte e transição muito rápida para procedimentos de alta complexidade, que não permitam que o paciente fique peregrinando por um sistema de saúde burocrático e cheio de pedágios”.

Ainda segundo ele, é necessário um esforço para que a saúde seja um espaço sem segmentação entre a qualidade do público e do privado? “O Hospital de Clínicas cumprirá sua função no Rio Grande do Sul e no Brasil, mostrando caminhos a seguir em assistência de alta qualidade para situações emergenciais, como é o caso da iminência da disseminação do coronavírus”.

(Marcello Campos)

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