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Geral O indiciamento de Donald Trump, mesmo esperado, é uma bomba na política americana

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O tribunal marcou as sustentações orais para 8 de fevereiro.(Foto: Reprodução)

Donald Trump jogou uma bomba na política dos Estados Unidos quase duas semanas atrás, quando previu sua prisão iminente. O pavio do explosivo acabou se provando mais longo do que o esperado, mas na noite de quinta-feira (30) ele foi detonado.

Trump é o primeiro ex-presidente dos EUA a enfrentar acusações criminais. Ele será o primeiro ex-presidente a ter suas impressões digitais coletadas e sua foto tirada, e será obrigado a se apresentar como réu perante um juiz.

Se o caso prosseguir como esperado, ele também será o primeiro presidente dos EUA a passar por um júri popular.

Os efeitos dessa bomba já estão se espalhando pelo cenário político.

Alguns aspectos são previsíveis e foram telegrafados com bastante antecedência. O ex-presidente, seus advogados e seus filhos dizem que as acusações — que ainda precisam ser detalhadas — são perseguição política e uma tentativa de atrapalhar a campanha de um candidato à presidência em 2024.

No comício político de Trump no Texas no último sábado (25/03), o ex-presidente já estava obcecado pela prisão que parecia iminente.

“Isso é realmente má conduta do promotor”, disse Trump sobre o inquérito do promotor distrital da cidade de Nova York. “A inocência das pessoas não faz diferença para esses maníacos radicais de esquerda.”

Quando a notícia foi divulgada, outros membros do Partido Republicano fecharam o cerco em torno de seu ex-presidente.

Vários membros seniores da Câmara dos Representantes classificaram a acusação como “ultrajante” e prometeram uma investigação completa do Congresso.

O presidente da Câmara, Kevin McCarthy, disse que o promotor distrital de Nova York “prejudicou irreparavelmente” a nação em uma tentativa de interferir nas eleições presidenciais de 2024.

Mesmo alguns dos potenciais rivais de Trump para a indicação do Partido Republicano condenaram as acusações.

“Processar crimes graves mantém os americanos seguros, mas os processos políticos colocam o sistema legal americano em risco de ser visto como uma ferramenta para abuso”, disse o ex-secretário de Estado de Trump, Mike Pompeo, em comunicado.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, visto como o oponente em potencial mais forte de Trump, foi igualmente categórico em um post no Twitter, chamando a acusação de “antiamericana”.

“O armamento do sistema jurídico para promover uma agenda política vira o estado de direito de cabeça para baixo”, escreveu ele.

Ele afirmou ainda que a Flórida não ajudaria na extradição de Trump para Nova York para enfrentar as acusações, embora os advogados de Trump tenham dito anteriormente que ele iria ao tribunal de bom grado — algo que deve acontecer no início da próxima semana.

Equilíbrio delicado

Em algum momento, no entanto, os rivais de Trump terão que se virar contra ele. E um potencial pré-candidato menos conhecido já deu uma amostra do tom que deve ser adotado no futuro em seu comunicado à imprensa na noite de quinta-feira.

“É um dia sombrio para a América quando um ex-presidente é indiciado por acusações criminais”, disse o ex-governador do Arkansas, Asa Hutchinson, sem classificar a acusação como injusta.

Donald Trump subiu nas pesquisas de aprovação dos republicanos recentemente, mas ainda há um sentimento de que seu drama pessoal é uma desvantagem que prejudicará sua candidatura.

Nesse caso, as acusações poderiam representar o primeiro golpe contra Trump — que foi visto por seus oponentes republicanos mais com tristeza do que com alegria.

Por sua vez, a campanha de Trump escolheu focar na polêmica, usando as manchetes de jornais e breaking news para angariar doações de apoiadores.

“Por favor, faça uma contribuição – de qualquer quantia – para defender nosso movimento da interminável caça às bruxas e CONQUISTAR a CASA BRANCA em 2024”, dizia um e-mail de campanha que incluía o comunicado de imprensa de Trump sobre a acusação.

Ele prometeu que a acusação “sairia pela culatra” para o presidente Joe Biden e os democratas.

Biden em silêncio

Pelo menos até agora, a Casa Branca se manteve em silêncio sobre o caso — estratégia semelhante à utilizada durante o julgamento de impeachment de Trump no Senado em 2021, após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio dos EUA.

A visão deles, talvez, esteja alinhada com a velha citação de Napoleão sobre não interromper um inimigo quando ele está cometendo um erro.

Outros democratas, no entanto, foram menos reticentes.

“A base de nosso sistema jurídico é o princípio de que a Justiça se aplica a todos igualmente”, disse o senador democrata Cory Booker em um comunicado. “Ninguém está acima da lei.”

O secretário de imprensa do Comitê Nacional Democrata, em uma declaração mais partidária, tentou vincular Trump e seus problemas legais ao movimento “Make America Great Again” e ao Partido Republicano como um todo.

Os democratas e muitos analistas políticos atribuem o desempenho do partido nas eleições de meio de mandato do ano passado, que foi melhor do que o esperado, ao fato de os candidatos republicanos estarem muito associados a um ex-presidente que, embora ainda seja amado por republicanos, é odiado pela maioria dos americanos.

É esperado que os democratas empreguem mais uma vez uma estratégia de ataque semelhante.

O atual drama jurídico de Trump pode atingir seu auge e terminar bem antes da votação em 2024. As consequências políticas podem depender, em última instância, do resultado do processo — e se ele será seguido por outros.

No momento, no entanto, as estratégias partidárias da ataque de Trump foram claramente estabelecidas — assim como em quase todas as grandes questões de importância nacional nos EUA hoje.

Embora a noite de quinta-feira tenha sido marcada por um bombardeio, a guerra política de trincheiras parece destinada a continuar. As informações são da BBC News.

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