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Notícias O Instituto-Geral de Perícias apresentou documentos inéditos de um crime que chocou Porto Alegre há quase 80 anos

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Em 1940, Adolescente foi encontrada morta 48 horas após deixar um baile no bairro Moinhos de Vento. (Foto: Reprodução)

Para celebrar os seus 22 anos de fundação, completados em julho, o IGP (Instituto-Geral de Perícias) realizou no Palácio Piratini, nessa segunda-feira, uma exposição com investigações policiais que marcaram época no Rio Grande do Sul. O destaque ficou por conta da mostra de laudos, até então inéditos, de um crime que chocou Porto Alegre em agosto de 1940.

Na madrugada do dia 20 daquele mês, a estudante Maria Luiza Häussler, 16 anos, foi encontrada morta na Lagoa dos Barros, entre Osório e Santo Antônio da Patrulha. Cerca de 48 horas anrtes, ela havia deixado um baile na tradicional Sociedade Germânia (bairro Moinhos de Vento) na companhia do namorado Heinz Werner Schmeling, 19 anos – o romance não era aceito pela família dela.

Encontrado em um bar no bairro Belém Velho (Zona Sul) com ferimento a bala, o rapaz admitiu ter deixado o corpo da adolescente na Lagoa, mas negou ter sido o autor do assassinato, alegando que Maria Luiza cometera suicídio após tentar matá-lo. A versão não convenceu o júri e Schmeling acabou condenado por homicídio em 1942, cumprindo menos de dez anos de sentença (ele morreria em São Paulo na década de 1980).

Laudos dessa e de outras investigações ficaram extraviados por mais de 80 anos em um depósito, até serem encontrados recentemente. Pelo relato dos peritos da época, não foi possível descartar a hipótese defendida pelo réu. Essa história seria resgatada pelo jornalista e escritor gaúcho Rafael Guimaraens, em 2013, no livro “A Dama do Lago” (Editora Libretos).

Relevância

Na avaliação da diretora do IGP, Heloísa Helena Kuser, certos crimes dão origem a lendas que ganham tanta força que, por vezes, nem mesmo a perícia é capaz de desmistificá-los. “Não precisamos nos insurgir contra isso, pelo contrário, podemos conviver harmoniosamente”, ponderou.

Ela menciona outros casos célebres em que o papel de peritos forenses foram decisivos em Porto Alegre, como os crimes da Rua do Arvoredo (1864) e o incêndio da Loja Renner (1976), ambos no Centro da cidade. “A perícia envolve pesquisa, tecnologia e ciência, e é praticada no Rio Grande do Sul desde o século 18”, frisou.

Trajetória

O IGP foi criado como órgão autônomo de Segurança Pública do Estado pelo artigo 124 da Constituição Estadual, promulgada em 1989. Na época, a instituição se chamava “Coordenadoria-Geral de Perícias”. A atual denominação veio com a emenda constitucional número 19, no dia 17 de julho de 1997.

São órgãos de execução do órgão, sob a coordenação da Supervisão Técnica, o DC (Departamento de Criminalística), o DML (Departamento Médico-Legal, antigo IML), o DI (Departamento de Identificação) e o LP (Laboratório de Perícias).

Assim como a Polícia Civil e a BM (Brigada Militar), o Instituto é um dos órgãos vinculados à Secretaria da Segurança Pública, ao lado da Polícia Civil e da Brigada Militar, ao qual compete, além de outras atribuições, especialmente, as perícias médico-legais e criminalísticas, os serviços de identificação e o desenvolvimento de estudos e pesquisas na área de atuação.

(Marcello Campos)

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