Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
17°
Fair

Brasil Em carta à família, Marcelo Odebrecht pede para voltar à empreiteira

Marcelo Odebrecht (foto) disse que mantém teor de delação sobre tratativas com Lula feitas pelo pai, Emílio Odebrecht, a quem atribui "contradições". (Foto: Reprodução/EBC)

Marcelo Odebrecht quer voltar a conduzir os negócios do grupo, a partir da holding familiar Kieppe. Logo após sua visita à sede da companhia em São Paulo, em 12 de setembro, quando obteve progressão do regime de prisão domiciliar para semiaberto, ele escreveu uma carta à família.

Em pouco mais de três páginas, ele discorre sobre ter encontrado os negócios sem liderança e afirma: “me coloco à disposição da nossa família para ajudar no que for preciso, tanto no âmbito de Kieppe, quanto da Organização”.

A visita de Marcelo já havia deixado todo entorno do grupo em alerta e preocupado, justamente quanto a uma iniciativa nessa direção. A ida do ex-presidente às empresas gerou reação e críticas de diversos conselheiros independentes das controladas, especialmente em Braskem, por se tratar um condenado pela Justiça em cumprimento de pena e legalmente afastado dos negócios.

Marcelo afirma que vê espaço para tal atuação e, ao mesmo tempo, respeitar os limites do acordo de colaboração que celebrou com a Justiça. Diz na carta que só retornará se for desejo da família. “Se a opção, porém, infelizmente for para mantermos o distanciamento atual [diria até ausência], de fato não sou a pessoa certa para contribuir com vocês nem hoje, nem no futuro junto à Kieppe, pois seria contra minha natureza.”

Desde 17 de junho, a Odebrecht S.A. (ODB) e mais 20 holdings e subholdings, incluindo a Kieppe, estão em recuperação judicial, com R$ 98,5 bilhões em dívidas. O neto do fundador Norberto Odebrecht cita o avô ao falar de liderança e diz que pode estar chegando tarde, mas que não pode se furtar a tentar ajudar.

Desde a passagem do ex-executivo às dependências do conglomerado, os credores estão apreensivos sobre o que pode ocorrer se Marcelo tentar voltar a influenciar a gestão. Alguns alegam que isso traria problemas para a negociação das dívidas.

A carta foi entregue mesmo após uma manifestação formal de seu pai, Emílio Odebrecht, no dia posterior à sua visitam na qual o patriarca vivo tentou reforçar que manteria os avanços de governança implementados desde 2017, com afastamento da família dos negócios, e reforçava decisão já anunciada que seu sucessor será o outro filho, Maurício Odebrecht.

Consultado, Marcelo respondeu por meio de seu advogado: “Entendo que temas no âmbito da família são de foro íntimo e privado e assim devem ser tratados.” A Odebrecht disse que não está envolvida em eventuais discussões dos acionistas, segundo sua assessoria de imprensa.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Idoso morre atropelado e familiares incendeiam carro de motorista no interior do Rio Grande do Sul
O Instituto-Geral de Perícias apresentou documentos inéditos de um crime que chocou Porto Alegre há quase 80 anos
Deixe seu comentário
Pode te interessar