Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de junho de 2016
O inverno chegou, mas o frio veio um pouco antes e já vem causando o crescimento das doenças respiratórias. A estação mais fria do ano traz com ela baixa umidade, resfriamento do ar, proliferação de vírus e um perigoso aumento de automedicação.
“Quando aparece uma dor de cabeça ou um resfriado, não vamos ao médico, vamos à farmácia”, lembra o clínico geral Luiz Roberto Fernandes.
Ele ressalta que a automedicação não é proibida, o problema é o uso excessivo.
No inverno, doenças, como gripe, resfriado, rinite, sinusite e bronquite triplicam, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Somando a falta de informação à precariedade dos serviços públicos, o resultado é que três em cada quatro brasileiros se automedicam. Os principais remédios usados em automedicação são os antitérmicos, analgésicos, anti-inflamatórios e xaropes para tosse.
O médico Mauro Castanharo alerta que um dos principais riscos é o diagnóstico tardio. “As pessoas postergam a procura pelo médico. E isso pode adiar o diagnóstico de doenças mais graves”, declara.
Os profissionais ressaltam que vacinação e simples cuidados com a higiene evitam doenças.
Facilidade na hora de “ir às compras”.
Entre os corredores e prateleiras, uma infinidade de sabores, formatos e embalagens. Com uma cestinha, o cliente “faz a feira” com a fartura de produtos – muitos ao alcance da mão. Com o cenário semelhante ao de um mercado, a facilidade na compra de remédios em drogarias é apenas um dos fatores que levam à automedicação.
“Remédio deve ser usado quando a relação entre o risco e o benefício vale a pena. E isso é analisado por um médico. A aspirina, por exemplo, pode causar hemorragia, se usada indiscriminadamente. A dipirona pode causar reações como, hipersensibilidade e choque anafilático”, explicou o professor de endocrinologia Walmir Coutinho.
Quais os riscos?
Os analgésicos são normalmente usados para dores leves e moderadas, como a dor de cabeça. Os anti-inflamatórios combatem dores decorrentes de inflamações.
O uso indiscriminado pode agravar problemas gástricos, ter ação anticoagulante, provocar hemorragias, prejudicar pacientes com problema cardíaco ou renal e agravar a hipertensão.
Os antitérmicos são usados para diminuir e estabilizar a temperatura do corpo. Pessoas com reação alérgica, ao usar o antitérmico, podem sofrer edemas (inchaço) da glote, impedindo a passagem de ar para os pulmões, e coceira.
Usado quando o nariz entope, o descongestionante usado constantemente pode causar taquicardia, elevação da pressão arterial, dependência e rinite medicamentosa. (AG)
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