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Política O “japonês da Polícia Federal” vai se aposentar. Ele chegou a receber convites de partidos, mas negou interesse em se candidatar

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Chefe da carceragem da PF, Ishi disse que a expectativa é que a publicação de seu pedido de aposentadoria ocorra nesta terça-feira. (Foto: Reprodução)

Conhecido por aparecer em fotos ao lado de presos famosos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Lava-Jato, o policial federal Newton Ishi, de 62 anos, vai se aposentar. Famoso pela alcunha de “Japonês da Federal”, Ishi entregou, no mês passado, o cargo na chefia do núcleo de operações da superintendência da PF de Curitiba.

Chefe da carceragem da PF, Ishi disse que a expectativa é que a publicação de seu pedido de aposentadoria ocorra nesta terça-feira, quando também está prevista a saída da cadeia do empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Ishi admitiu que chegou a receber convites de partidos políticos para disputar as eleições de 2018. Contido e dono de poucas palavras, ele foi taxativo: “Tô fora!”,  disse Ishi, sem revelar qual partido lhe fez a proposta de candidatura.

Uma marchinha de carnaval chegou a ser composta em homenagem ao agente e máscaras com seu rosto foram distribuídas em manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Contudo, em junho do ano passado, Ishi foi preso. O caso tem relação com uma investigação criminal sobre contrabando de mercadorias na fronteira do Brasil em Foz do Iguaçu, desbaratada na Operação Sucuri em 2003. Ele foi condenado a 4 anos e dois meses por facilitação. Porém, obteve redução de pena devido aos dias trabalhados como agente e usou tornozeleira eletrônica até outubro.

Confira o trecho de uma entrevista com o “japonês”:

O senhor está afastado do cargo?

“De jeito nenhum. É boato. Não sei de onde saiu isso. Estou em férias. Elas acabam em 7 de março e voltarei para o mesmo lugar.”

Como virou o “Japa da Federal”?

“Sou chefe do Núcleo de Operações. Uma das funções do núcleo é conduzir os presos. Com a Lava-Jato, começaram a aparecer na mídia fotos da equipe. E, por algum motivo que não sei, a mídia começou a focar em mim. A origem disso tudo é desconhecida. Talvez por ser o único oriental. Tem colegas que participaram até de mais prisões que eu, mas virei o rosto da Lava-Jato. Ninguém consegue explicar o porquê de esse foco ter se virado para mim. Formou-se essa imagem de símbolo de combate à corrupção. Na verdade, esses símbolos não têm nada a ver. Eu, Newton, só represento a corporação. Sou muito reservado, discreto. A gente precisa estar na rua. Agora, por exemplo, como é que vou efetuar uma prisão? Se chego a um local, todo mundo sabe que a Polícia Federal está lá. Então, tenho preferido ficar mais na parte de coordenação.”

A fama tem atrapalhado?

“Agora não mais, porque estou ficando mais na parte de logística. A imprensa começou a fotografar direto. Fica inviável. As prisões estão sendo feitas por outras pessoas também envolvidas na Lava-Jato. Não somos exclusivos da operação. Tudo que se refere à parte operacional é do meu setor. Temos operações de pedolifia, tráfico de drogas… A Lava-Jato é uma delas. Só que esse personagem criado saiu um pouco do controle. Sempre tem algo sendo publicado a meu respeito. Tanto que fizeram marchinha de carnaval, máscara, até boneco de Olinda. Ligaram para mim, pediram autorização. As máscaras, não. Mas tudo bem. Não me incomodo.”

Você recebeu direito de imagem?

“Não, nem faço questão. Deixa os comerciantes ganharem o dinheiro deles.”

E como está lidando com a fama?

“A cada dia essa fama me surpreende mais. Ela tem dois lados. Tem o lado bom, do reconhecimento. O lado das crianças e adolescentes é muito legal. Eles querem tirar foto, conversar e estudar para mais tarde fazer concurso para a Polícia Federal. Estamos dando um bom exemplo. No Brasil, a polícia nunca teve esse papel de exemplo e agora, com a Lava-Jato, estamos tendo apoio em todos os sentidos, todas as classes sociais. Dizem que estão rezando, torcendo para que tudo acabe bem. Isso fortalece o trabalho e  nos dá força para continuar.”

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