Quinta-feira, 23 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2026
Nunca se falou tanto por aqui de jatos executivos, por conta da quantidade de vezes em que autoridades dos três Poderes aceitaram carona na frota de Daniel Vorcaro. Uma compilação de dados da Federal Aviation Administration (FAA) e da Eurocontrol (que atua no gerenciamento de tráfego aéreo) mostra que o Brasil é, acredite, o segundo país do mundo em número de aviões executivos (2.700). Embora bem atrás dos Estados Unidos (23 mil), o país está à frente da frota de outras grandes nações, como a China (800).
O Banco Master, naturalmente, não inventou esse tipo de lobby a 30.000 ou 40.000 pés de altura, muitas vezes em voos internacionais. A promiscuidade é antiga e já alcançou gente de quase todos os credos — a começar por Bolsonaro e Lula. Um “Air Vorcaro” esteve à disposição da campanha eleitoral bolsonarista em 2022, transportando pelo país o jovem cabo eleitoral Nikolas Ferreira.
Já Lula, também em 2022, eleito, mas não empossado, foi à Conferência do Clima no Egito, a COP27, em um jato particular de José Seripieri Filho, influente empresário do setor de saúde e dono da Amil.
Mas, em matéria de mordomia aérea, ninguém, acho, supera, até agora, Ernane Galvêas, em 1981, em plena ditadura. O então ministro da Fazenda, retornando de Nova York para o Rio em um voo direto da Varig, cheio de passageiros, ordenou ao comandante que fizesse uma parada em Brasília para que ele desembarcasse. Que coisa feia! (Coluna de opinião do portal O Globo).
Exército
O Exército credenciou o Banco Master para operações de empréstimos consignados a militares da ativa e da reserva e, em pouco mais de um ano, repassou R$ 39 milhões à instituição que pertencia a Daniel Vorcaro. O valor é referente aos descontos nos contracheques ocorridos em razão do crédito concedido pelo banco.
O montante é informado em um RIF (relatório de inteligência financeira) elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do governo federal que atua na prevenção e na detecção do crime de lavagem de dinheiro. O documento, obtido pela Folha, foi enviado em março à CPI do Crime Organizado no Senado, encerrada na semana passada sem a aprovação de um relatório final.
Na menção às transferências de recursos feitas do Exército ao Master, entre agosto de 2024 e outubro de 2025, o relatório aponta duas possibilidades de irregularidades por parte do banco no que diz respeito ao destino do dinheiro, o que justificou o alerta e o registro do caso no RIF.
Uma delas é o recebimento dos repasses com débito imediato dos valores pelo Master, o que pode indicar transações suspeitas e burla do destino do dinheiro. A outra é a concentração dos recursos, que foram enviados para uma mesma titularidade pelo banco de Vorcaro, conforme o relatório do Coaf. No segundo caso, esse tipo de movimentação dificulta a identificação de outros beneficiários, segundo o RIF.
Após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 18 de novembro do ano passado, o Exército rescindiu o contrato de credenciamento para empréstimos consignados, de forma unilateral. Isso se deu em 24 de novembro. (Com informações da Folha de S. Paulo)
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